Experimento de Realidade Aumentada

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A exposição do VJ Pixel – Janelas Digitais no Coletivo Digital (Rua Cônego Eugênio Leite, 1117, em Pinheiros, São Paulo) traz experimentos de realidade aumentada utilizando recursos do celular através do app jandig (desenvolvimento opensource). Muito legal!!!

Minha colaboração foi a animação acima que aparece ao focar a câmera num tipo de QR code (#sqn).

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Vale a pena visitar a exposição 😉

 

Survival is the new black

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Não me importa muito como será o fim. Pode ser consequẽncia de um asteróide rebelde, de uma guerra nuclear, de uma devastadora epidemia zumbi ou, com mais probabilidade, os efeitos das mudanças climáticas. Na verdade, tanto faz.

Tenho a convicção de que o fim está cada vez mais próximo. São tantas as evidências que já não é mais possível negar e colocar debaixo do tapete da sala de estar.

Se já sabemos do fim, precisamos urgentemente entender que o processo será duro. Vai nos custar sede, fome e, também, conforto.

Fomos acostumados a viver sob as benesses do capitalismo. Comida na mesa, roupa limpa, luz elétrica, água encanada e diversos outros quitutes para nos deixar felizes para enfrentar a angústia do cotidiano. Uma dose de juanito para sobreviver o estresse.

O consumismo nos tornou dependentes para seguir vivendo adequadamente na sociedade. Além das drogas, é claro!.

Mas imagine, por alguns segundos, que não mais tenhámos todas essas coisas disponíveis. Teriamos que lutar todos os dias por um pouco de água, por um pão minguado. Vai ser um estorvo conseguir uma frutinha, um pé de alface, uma pequena cenoura. Aliás, você sabe plantar? Caso positivo, poderá desfrutar de sua porção de chuchu diária. Plantado na sua horta caseira para nutrir sua família.

Se não, bastará uma boa arma para roubar a comida dos inimigos (ou dos quase amigos mais fracos e despreparados para a onda de violência que está por vir). Assim, veremos o que é um homem. Um ser animal capaz de produzir os piores horrores para se dar bem. Esta história já conhecemos bem. Todos somos doutores no comportamento egoísta de seres que como nós habitam no mesmo planeta. Infelizmente.

A única coisa que tenho certeza é que precisamos nos preparar para enfrentar os tempos de mad max.

Ao deus-dará

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O mundo está inacreditável. O Brasil, nem me fale… já nem falamos da crença no desenvolvimento. Eu só queria voltar algumas casas para poder jogar um outro jogo . Mas na vida real não tem UNDO.
 
Bem, a política tá uma bosta. Principalmente os políticos. Uma corja que se aninhou em BSB para foder os desamparados. Para quem ainda não se ligou… os desamparados somos nós.
 
Além de toda essa robalheira e abusos do poder creio que ainda não chegamos no fim do poço. Incrível, mas é verdade. A mudança climática já é irreversível
 
O sistema faliu. Não apenas no âmbito da organização da sociedade, que não mais consegue produzir sem deixar a desesperança como legado.
 
Para a continuidade da civilização não é mais possível admitir queimar combustíveis fósseis, continuar com a atividade pecuária, deixar rios e lagos poluídos e ao ‘deus-dará’… Sabemos que teremos um futuro minguado. A tecnologia não nos salvará. Talvez  enviar alguns para outras galaxias. Talvez os aliens venham nos salvar (mas não acho que eles vão querer meter a mão nessa arapuca).
 
E o povo? Os seres humanos? Uhmm, seria melhor assistir mais filmes, mais séries. A vida é só uma ficção.

Financiamentos coletivos

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Uma vez me chamaram para juri de um prêmio da extinta revista ‘a rede’.

O prêmio tinha objetivo de promover e destacar projetos de uso da tecnologia na educação e na ‘inclusão digital’.

A minha metodologia para avaliar foi fazer um balanço entre 3 variáveis: a quantidade de pessoas atendidas, o objetivo social do projeto e o financiamento.

Assim, um projeto com objetivos desinteressantes e anacrônicos: nota baixa.

Pouca gente atendida: nota baixa.

E, se tivesse um financiamento de banco e/ou grandes empresas, as avaliações seriam função da quantidade de pessoas atendidas ou o objetivo intrínseco do projeto. Ou seja, financiamento de banco, projeto bobinho: nota baixa; poucos atendidos: nota baixíssima.

Nunca mais fui juri desse prêmio. Ser rigoroso demais não é bom para os negócios.

No entanto, acho que ser rigoroso em relação ao financiamento faz com que possámos evidenciar projetos que tenham qualidade. E, quanto mais financiamento é mais simples atingir a meta. Entendo que se há bradesco, itaú, oi, vivo, claro ou quaisquer outros players da ação social há de se pensar que o projeto tem que atingir mais de milhares de pessoas e que tenha sido definido para ser relevante para a sociedade. Um projeto com financiamento mais humilde pode ser menos fantástico como projeto mas que, seguramente, envolve mais a comunidade, o que torna seu ponto forte.

Bem, escrevi tudo isso para apontar para um detalhe em relação a gourmetização do crowdfunding.

Tipo: uma ONG chique, financiada por bancos, com um produto bom concorre com muito mais profissionalismo pelo seu dinheirinho de caridade direta com outros projetos menores, onde o pessoal dá um sangue danado para manter e ampliar seus projetos.

Os coletivos que se formam pela vontade de fazer, algo tão século 21, encontraram uma forma de produzir se valendo das doações dos amigos e amigos dos amigos. Se a gourmetização continuar crescendo vai dificultar cada vez mais para o pessoal que tem feito algo diferente.

Pense na hora de dividir seu pãozinho. E faça como eu fiz para avaliar os projetos. Seja rigoroso. E dê seu dinheiro pra quem você quiser.

Ativistas de sofá

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Confesso que sou um ativista de sofá. Sento à frente do meu computador para agenciar sobre temas que me importam. Muitas vezes não consigo inserção na sociedade. Outras vezes, alguns bons argumentos podem amalgamar nas ideias gerais circulantes.

Faz tempo que sou ativista. Nos anos 2000, o furor das redes deu condições de ampliar o debate sobre a liberdade de softwares, sobre direito de autoria, sobre colaboração, compartilhamento, ubiquidade, inclusão digital e, principalmente, a apropriação da tecnologia para a transformação social.

Por que insistir na ideia de transformação social? O desenvolvimento da tecnologia e seu efeito colateral na organização da sociedade tem transformado o mundo como conhecemos. O sistema está se rompendo – e, da mesma maneira que Sean Parker profetizou que depois do Napster o mercado de música se transformara totalmente.

Esta ruptura está chegando na política. Mas ainda estamos num momento de endurecimento, lembra quando as gravadoras e alguns músicos defendiam seus direitos e seu pequeno poder? Passou, pois tudo mudou. Agora o spotify e apple lideram as vendas de músicas.

Nestes momentos assistimos um espetáculo mundial de esgotamento do sistema político. A questão é que a ruptura não acontece apenas no cargos eleitos (ou não). É muito mais profunda e atinge onde se ganha dinheiro. A corrupção está minando o poder, pois agora essas relações perversas se transformaram em bytes e bits. E, dessa forma, é passível de rastreio por qualquer pessoa interessada. A informação circula e as conversas em rede fazem o favor de distribuir. A corrupção e a conivência institucional foram desveladas. Podemos enxergar as artimanhas em tempo real. Acreditar ou não no que vemos faz parte da ética de cada um de nós.

É lógico que esse processo leva tempo. O fogo demorou milhões de anos para ser adotado pela maioria da humanidade, a Internet demorou apenas uns 25- 30 anos. Imagino que estamos a um passo de um novo sistema de poder. Por um mundo mais deleuziano.

Enquanto isso vamos continuar assistindo esse show de horror, a crença numa estrutura politica representativa (#sqn) que é eleita (ou não) para trabalhar pelo povo. Esse sistema está em guerra para se manter como sistema. Assange já nos mostrou os documentos vazados, Snowden apontou para os americanos que vigiam os americanos (e o resto do mundo pra não ficar tão na cara). A estrutura se enrijece na hipernormalização e na construção da pós verdade. A população está ainda vivendo o “me engana que eu gosto”.

Somos todos ativistas de sofas. As vezes somos enganados, ou nos enganamos também, pois sempre temos um pequeno poder enrustido para nos confrontar. Vivemos num pais onde todos os dias aparecem notícias novas, morte de ministro, ascenção do crime ao poder, surubas e abusos. Isso tem um limite.

Temos que estar atentos, nós do sofá. A Internet é espaço de todos. E, apesar da maioria viver sua vida virtual frequentando softwares como fb, google, wapp, twitter, instagram, youtube e afins, o mundo virtual vai muito além. As possibilidades são muito maiores. A Internet é sobre pessoas e não sobre ferramentas e computadores. Um dia esse feitiço vira contra o feiticeiro. Jamais subestime os ativistas de sofá.

O equivoco do século 21

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É engraçado perceber que as pessoas não estão entendendo as redes sociais. Por um lado é bem bacana colocar nossas ideias, imagens e qualquer coisa que motive uma conversação em rede. O século 21 é o paraiso para os amadores poderem soltar o verbo, clicar com os celulares e remixar o universo. Amadores porque amam aquilo que fazem. Não é pejorativo. Ser amador é bom.

Por outro lado existem os profissionais. Aqueles que não entenderam a virada da chave da tecnologia. Acham que são os detentores do conhecimento e da exatidão da técnica. Pois é, Heidegger já pensou muito sobre a descontrução da metafísica padrão. A web coloca em prática esse pensamento. Ou seja, a descontrução dos containers do conhecimento é default.

Já sabemos que podemos filosofar sem ser filosofo, podemos ser fotografos sem profissão ou artistas, se acreditarmos que é possível. Yes, we can… ou não!

Na verdade, tanto faz. Apesar de acharmos que aquilo que fazemos é super especial, de nada importa para as redes socias. O poder dos mercados está nas mãos das pessoas comuns. São elas que seguem, curtem ou te ignoram. É simples assim… Mas tem gente que continua a viver no equivoco do século 21.

O fim por todos os lados

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Olá amigxs,

Eu tenho falando aos quatro cantos do cyberspace sobre o fim do mundo. Uso a tag #estamosfudidos para compilar todos os aspectos do antropoceno.

Minhas afirmações são oriundas das minhas pesquisas sobre as mudanças climáticas, da pesquisa populacional, de autores como James Lovelock, Freeman Dyson, entre outros.

Tenho também observado as tentativas da ficção, principalmente no cinema, em caracterizar o fim como uma possibilidade não tão remota. O medo bate à nossa porta.

No entanto, sempre evitei o aspecto religioso do apocalipse.

Na verdade, já havia ficado curioso com a afirmação de que “Os líderes do Estado Islâmico, que já conquistaram partes da Síria e do Iraque, insistem que estão se preparando para a “batalha final” entre o bem e o mal…”. Pensei, uhmm, esses caras são bem loucos.

Agora, parece que as previsões de Nostradamus, do código da biblia e nem sei quantas mais colocam a figura polêmica do recém eleito Trump como o anticristo. Pode ser bobagem, mas ninguém no mundo é tão indicado para preencher esse papel como o tal Trump.

Uma das primeiras ações deste senhor homofóbico, misógino, racista e tremendamente babaca foi nomear Myron Ebell, um dos mais conhecidos “céticos do clima” para liderar sua equipe de transição na Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). Trump havia prometido acabar com os subsídios para energias limpas (eletricidade solar e eólica), recuperar a queima de carvão (pior combustível fóssil, abundante nos Estados mais conservadores dos EUA) e eliminar a agência ambiental EPA. Essas ações determinam o nosso fim como civilização. Enquanto, os cientistas sérios dizem que deveriamos dar o fim na civilização do petróleo e correr para tentar reverter as condições climáticas, que já é considerada irreversível.

Trump “pode” ser o anticristo. As afirmações do HyperTexts são, ao menos, curiosas e  incrivelmente possíveis.

É um tipo de “eu te avisei”. E muitos estão avisando mesmo.

É, amigxs,  #estamosfudidos por todos os lados.

 

 

 

 

 

Nota sobre a educação no Brasil

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Hoje li (ou melhor,  os olhos) por um artigo na exame que defende a desobrigatoriedade do ensino de disciplinas fundamentais. O argumento é que a sociedade atual tende a sair fora das caixas. A obrigatoriedade não produz subjetividade.

Esse é um tema complicado. Porque os fins não justificam os meios. Até concordo que a elegibilidade das disciplinas deveriam ser flexiveis. Mas como? É aí que mora o perigo.

O ‘como’ é o processo de se fazer algo. Na sociedade contemporânea esse ‘como’ deveria ser participativo e chamar para o debate as pessoas que estudam a educação, tanto do ponto de vista pedagógico como o impacto das tecnologias na sociedade e na construção do sujeito. Logo, não se faz educação por decreto.

O projeto é ruim não só pelo que entrega (embora nem me interessa entender o que poderia trazer de bom). O processo de criação, desenvolvimento, debate é inexistente. A consultoria do ministério da educação não tem competência para atender essa demanda. A burocracia é sempre burra.

Dupla apropriação

O Google é um espaço informacional para ser ocupado. Na verdade, o Google tem se apropriado dos espaços urbanos através da sua máquina de mapeamento do mundo. São satélites (no caso do googleearth) ou câmeras fotográficas ou 8eyes (no streetview) que capturam imagem 3D e moldam um ambiente onde nossas informações são disponibilizadas por uma plataforma.

Google Street View é um recurso do Google Earth que disponibiliza vistas panorâmicas de 360° na horizontal e 290° na vertical e permite que os usuários vejam partes de algumas regiões do mundo ao nível do solo. Quando foi lançado em 25 de maio de 2007, apenas 5 cidades americanas haviam sido incluídas. Desde então já se expandiu para milhares de localizações em alguns países como Estados Unidos, França, Austrália, Japão, Portugal e Brasil e muitos outros.

A vida acontece em rede. Esta é uma afirmação que revela uma Internet como espaço de ação que catapulta transformações, intervenções e produção de subjetividades. Pois, esse é um caminho para explorar.

A oposição real/virtual tornou-se um anacronismo do século 20. O virtual é tão real como o presencial. Diferente como espaço de ação, mas representa fielmente rastros das nossas vidas.

O uso da interface como espaço informacional de experimentação, em que a criação artística resulta numa ocupação das redes, ou seja, os meios digitais possibilitam que os recursos tecnológicos de criação, produção, transformação e circulação de conhecimento e cultura sejam acessíveis. E, principalmente, a distribuição desta produção nas redes.

No livro Googlerização de tudo de Siva Vaidhyanathan, traz uma passagem interessante do Cory Doctorow, um autor, blogueiro e ativista, que “disse que ele tem usado o Google Street View para descrever em detalhes uma cena em San Francisco quando escrevia o seu bem-sucedido romance Little Brother (…) Eu peguei o sinal Wi-Fi com o meu WiFinder do meu celular a uns três quarteirões do O’Farrell, pouco antes da Hyde Street, na frente do não tão honesto ‘Asian Massage Parlor’ com um neon vermelho piscando FECHADO na janela. O nome da rede era HarajukuFM, por isso, sabiamos que estavámos no ponto certo. (…) Doctorow tinha escrito grande parte do romance, enquanto vivia em Los Angeles (…) Eu acho que eu estava escrevendo em Heathrow aquele dia, ou possivelmente na Croácia. Eu conheço a rua O’Farrell muito bem, mas já fazia alguns anos. Eu dei um zoom para cima e para baixo da rua com o [Google Street View] por alguns segundos até que minha memória tivesse refrescada, em seguida, escrevi.”

A apropriação dos espaços informacionais se dá de diferentes maneiras. Podemos dizer que Doctorow interagiu com a rede no sentido de buscar informações residuais num ambiente 3D para transforma-las em ficção. Usou aquilo que precisava. Tal qual um retratista poderia buscar no Google Street view algumas informações para sua pintura.

De fato, o artista e designer gráfico Bill Guffey resolveu pegar um atalho para pintar quadros de seus locais favoritos ao redor do mundo. Ele usa o Google Street View para visitar os lugares e retratá-los em um quadro. “Street View realmente mudou tudo para mim, pois significa poder ir a todos aqueles lugares que eu amo, sentar e pintá-los como se estivesse realmente lá”.

A cultura digital possibilita o acesso aos meios de produção. Facilita as atividades das pessoas comuns que passaram a usar o computador em substituição às ferramentas e meios de produção que outrora eram inacessíveis. Com a utilização de softwares é possível criar e editar arquivos de texto, imagens, áudio e vídeos. Essas facilidades se ampliam quando passam a ser distribuídas em redes, fazendo com que as pessoas conectadas possam trocar arquivos, projetos e ideias com qualquer outra pessoa ou grupos em qualquer lugar do planeta. Esse conjunto de ferramentas cria impacto na forma que a sociedade produz. Tanto do ponto de vista da técnica, onde novas ferramentas digitais estão disponíveis, como no processo de redificação da sociedade na qual as pessoas tem cada vez mais acesso aos meios de produção e distribuição.

A artemídia, como qualquer arte fortemente determinada pela mediação técnica, coloca o artista diante do desafio permanente de, ao mesmo tempo em que se abre às formas de produzir do presente, contrapor-se também ao determinismo tecnológico, recusar o projeto industrial já embutido nas máquinas e aparelhos, evitando, assim, que sua obra resulte simplesmente num endosso dos objetivos da produtividade da sociedade tecnológica (MACHADO, 2007, p. 16).

Nesse contexto, a capacidade de agenciamento da artemídia depende de um
desvio da lógica industrial que ponha em questão a integralidade de suas máquinas semióticas, solapando a um só tempo suas funcionalidades objetivas e subjetivas. (Beiguelman, 2016)

No que concerne à criação artística vinculada a esses meios, a questão da visibilidade não é diferente. Do lado da produção, a tecnologia vem descontruindo a técnica. Por exemplo, a fotografia analógica era basicamente técnica. As lentes, o filme, o controle de luz e velocidade resultaram nos tons e nas sombras e, principalmente, na organização dos trabalhos de pré-produção. Este dado caracterizou a diferença entre amadores e profissionais. Nos tempos da tecnologia digital, este processo foi canalizado para a pós-produção. O Photoshop veio pra ficar. E, de certa forma, amplia e facilta o olhar do fotógrafo.

Esta desconstrução da técnica é um detalhe que aumenta vertiginosamente a quantidade de fotógrafos e artistas, cada vez mais circunscritos ao amadorismo, que não significa obrigatoriamente os não profissionais e sim, aqueles que escolheram e amam o que fazem. ‘Somos todos aqueles que ousadamente armazenam e guiam ideias para onde só a imaginação alcança.’

As imagens do Google Street View podem ser navegadas usando tanto o mouse quanto o teclado. Com esses dispositivos podemos ter acesso a vistas em diferentes tamanhos, a partir de qualquer direção e de diversos ângulos.

A proposta de produção e distribuição em rede demanda o processo de ocupação. Ou seja, a reutilização e remix da interface como suporte. Pesquisar o ambiente do Google aponta para a ressignificação do espaço virtualmente modelado. As imagens do streetview revelam países, cidades, ruas, lugares diminuem distâncias e nos convidam a viajar pelo espaço – tempo de nossas memórias afetivas.

Revisitar lugares, interferir neles, imprimir nossa marca sobre eles é um exercício libertador e poético.

Ocupar os espaços informacionais é ampliar este diálogo. Não é preciso pedir permissão para publicar. As imagens geradas pelo streetview são capturadas, remixadas com outras imagens, transformadas por softwares e são devolvidas como expressão da arte. O virtual se materializa. E se mistura e atualiza. Aí, os espaços informacionais tornam-se presenciais. Sem fronteiras definidas. A ocupação se faz permanente.

Em NY 2011, uma dos meus primeiros trabalhos de apropriação do Google Earth, fiz uma intervenção utilizando softwares livres como The Gimp e Inkscape para desviar o pressuposto pelo googleearth.  A imagem às margens do Rio Hudson deixa de ter uma função de um mapa ou uma vista do satélite.

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Em 2014, a obra hacking Ligia Pape, criada após uma visita presencial à Inhotim e disponibilizadas no Instagram e Facebook, onde a imagem de NY 2011 foi ressignificada na fachada da Galeria Ligia Pape.

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A imagem criada através do googleearth como suporte foi migrada digitalmente para outro espaço. Este processo chamei de dupla apropriação.