Ativistas de sofá

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Confesso que sou um ativista de sofá. Sento à frente do meu computador para agenciar sobre temas que me importam. Muitas vezes não consigo inserção na sociedade. Outras vezes, alguns bons argumentos podem amalgamar nas ideias gerais circulantes.

Faz tempo que sou ativista. Nos anos 2000, o furor das redes deu condições de ampliar o debate sobre a liberdade de softwares, sobre direito de autoria, sobre colaboração, compartilhamento, ubiquidade, inclusão digital e, principalmente, a apropriação da tecnologia para a transformação social.

Por que insistir na ideia de transformação social? O desenvolvimento da tecnologia e seu efeito colateral na organização da sociedade tem transformado o mundo como conhecemos. O sistema está se rompendo – e, da mesma maneira que Sean Parker profetizou que depois do Napster o mercado de música se transformara totalmente.

Esta ruptura está chegando na política. Mas ainda estamos num momento de endurecimento, lembra quando as gravadoras e alguns músicos defendiam seus direitos e seu pequeno poder? Passou, pois tudo mudou. Agora o spotify e apple lideram as vendas de músicas.

Nestes momentos assistimos um espetáculo mundial de esgotamento do sistema político. A questão é que a ruptura não acontece apenas no cargos eleitos (ou não). É muito mais profunda e atinge onde se ganha dinheiro. A corrupção está minando o poder, pois agora essas relações perversas se transformaram em bytes e bits. E, dessa forma, é passível de rastreio por qualquer pessoa interessada. A informação circula e as conversas em rede fazem o favor de distribuir. A corrupção e a conivência institucional foram desveladas. Podemos enxergar as artimanhas em tempo real. Acreditar ou não no que vemos faz parte da ética de cada um de nós.

É lógico que esse processo leva tempo. O fogo demorou milhões de anos para ser adotado pela maioria da humanidade, a Internet demorou apenas uns 25- 30 anos. Imagino que estamos a um passo de um novo sistema de poder. Por um mundo mais deleuziano.

Enquanto isso vamos continuar assistindo esse show de horror, a crença numa estrutura politica representativa (#sqn) que é eleita (ou não) para trabalhar pelo povo. Esse sistema está em guerra para se manter como sistema. Assange já nos mostrou os documentos vazados, Snowden apontou para os americanos que vigiam os americanos (e o resto do mundo pra não ficar tão na cara). A estrutura se enrijece na hipernormalização e na construção da pós verdade. A população está ainda vivendo o “me engana que eu gosto”.

Somos todos ativistas de sofas. As vezes somos enganados, ou nos enganamos também, pois sempre temos um pequeno poder enrustido para nos confrontar. Vivemos num pais onde todos os dias aparecem notícias novas, morte de ministro, ascenção do crime ao poder, surubas e abusos. Isso tem um limite.

Temos que estar atentos, nós do sofá. A Internet é espaço de todos. E, apesar da maioria viver sua vida virtual frequentando softwares como fb, google, wapp, twitter, instagram, youtube e afins, o mundo virtual vai muito além. As possibilidades são muito maiores. A Internet é sobre pessoas e não sobre ferramentas e computadores. Um dia esse feitiço vira contra o feiticeiro. Jamais subestime os ativistas de sofá.

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