Ao deus-dará

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O mundo está inacreditável. O Brasil, nem me fale… já nem falamos da crença no desenvolvimento. Eu só queria voltar algumas casas para poder jogar um outro jogo . Mas na vida real não tem UNDO.
 
Bem, a política tá uma bosta. Principalmente os políticos. Uma corja que se aninhou em BSB para foder os desamparados. Para quem ainda não se ligou… os desamparados somos nós.
 
Além de toda essa robalheira e abusos do poder creio que ainda não chegamos no fim do poço. Incrível, mas é verdade. A mudança climática já é irreversível
 
O sistema faliu. Não apenas no âmbito da organização da sociedade, que não mais consegue produzir sem deixar a desesperança como legado.
 
Para a continuidade da civilização não é mais possível admitir queimar combustíveis fósseis, continuar com a atividade pecuária, deixar rios e lagos poluídos e ao ‘deus-dará’… Sabemos que teremos um futuro minguado. A tecnologia não nos salvará. Talvez  enviar alguns para outras galaxias. Talvez os aliens venham nos salvar (mas não acho que eles vão querer meter a mão nessa arapuca).
 
E o povo? Os seres humanos? Uhmm, seria melhor assistir mais filmes, mais séries. A vida é só uma ficção.
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Financiamentos coletivos

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Uma vez me chamaram para juri de um prêmio da extinta revista ‘a rede’.

O prêmio tinha objetivo de promover e destacar projetos de uso da tecnologia na educação e na ‘inclusão digital’.

A minha metodologia para avaliar foi fazer um balanço entre 3 variáveis: a quantidade de pessoas atendidas, o objetivo social do projeto e o financiamento.

Assim, um projeto com objetivos desinteressantes e anacrônicos: nota baixa.

Pouca gente atendida: nota baixa.

E, se tivesse um financiamento de banco e/ou grandes empresas, as avaliações seriam função da quantidade de pessoas atendidas ou o objetivo intrínseco do projeto. Ou seja, financiamento de banco, projeto bobinho: nota baixa; poucos atendidos: nota baixíssima.

Nunca mais fui juri desse prêmio. Ser rigoroso demais não é bom para os negócios.

No entanto, acho que ser rigoroso em relação ao financiamento faz com que possámos evidenciar projetos que tenham qualidade. E, quanto mais financiamento é mais simples atingir a meta. Entendo que se há bradesco, itaú, oi, vivo, claro ou quaisquer outros players da ação social há de se pensar que o projeto tem que atingir mais de milhares de pessoas e que tenha sido definido para ser relevante para a sociedade. Um projeto com financiamento mais humilde pode ser menos fantástico como projeto mas que, seguramente, envolve mais a comunidade, o que torna seu ponto forte.

Bem, escrevi tudo isso para apontar para um detalhe em relação a gourmetização do crowdfunding.

Tipo: uma ONG chique, financiada por bancos, com um produto bom concorre com muito mais profissionalismo pelo seu dinheirinho de caridade direta com outros projetos menores, onde o pessoal dá um sangue danado para manter e ampliar seus projetos.

Os coletivos que se formam pela vontade de fazer, algo tão século 21, encontraram uma forma de produzir se valendo das doações dos amigos e amigos dos amigos. Se a gourmetização continuar crescendo vai dificultar cada vez mais para o pessoal que tem feito algo diferente.

Pense na hora de dividir seu pãozinho. E faça como eu fiz para avaliar os projetos. Seja rigoroso. E dê seu dinheiro pra quem você quiser.

Ativistas de sofá

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Confesso que sou um ativista de sofá. Sento à frente do meu computador para agenciar sobre temas que me importam. Muitas vezes não consigo inserção na sociedade. Outras vezes, alguns bons argumentos podem amalgamar nas ideias gerais circulantes.

Faz tempo que sou ativista. Nos anos 2000, o furor das redes deu condições de ampliar o debate sobre a liberdade de softwares, sobre direito de autoria, sobre colaboração, compartilhamento, ubiquidade, inclusão digital e, principalmente, a apropriação da tecnologia para a transformação social.

Por que insistir na ideia de transformação social? O desenvolvimento da tecnologia e seu efeito colateral na organização da sociedade tem transformado o mundo como conhecemos. O sistema está se rompendo – e, da mesma maneira que Sean Parker profetizou que depois do Napster o mercado de música se transformara totalmente.

Esta ruptura está chegando na política. Mas ainda estamos num momento de endurecimento, lembra quando as gravadoras e alguns músicos defendiam seus direitos e seu pequeno poder? Passou, pois tudo mudou. Agora o spotify e apple lideram as vendas de músicas.

Nestes momentos assistimos um espetáculo mundial de esgotamento do sistema político. A questão é que a ruptura não acontece apenas no cargos eleitos (ou não). É muito mais profunda e atinge onde se ganha dinheiro. A corrupção está minando o poder, pois agora essas relações perversas se transformaram em bytes e bits. E, dessa forma, é passível de rastreio por qualquer pessoa interessada. A informação circula e as conversas em rede fazem o favor de distribuir. A corrupção e a conivência institucional foram desveladas. Podemos enxergar as artimanhas em tempo real. Acreditar ou não no que vemos faz parte da ética de cada um de nós.

É lógico que esse processo leva tempo. O fogo demorou milhões de anos para ser adotado pela maioria da humanidade, a Internet demorou apenas uns 25- 30 anos. Imagino que estamos a um passo de um novo sistema de poder. Por um mundo mais deleuziano.

Enquanto isso vamos continuar assistindo esse show de horror, a crença numa estrutura politica representativa (#sqn) que é eleita (ou não) para trabalhar pelo povo. Esse sistema está em guerra para se manter como sistema. Assange já nos mostrou os documentos vazados, Snowden apontou para os americanos que vigiam os americanos (e o resto do mundo pra não ficar tão na cara). A estrutura se enrijece na hipernormalização e na construção da pós verdade. A população está ainda vivendo o “me engana que eu gosto”.

Somos todos ativistas de sofas. As vezes somos enganados, ou nos enganamos também, pois sempre temos um pequeno poder enrustido para nos confrontar. Vivemos num pais onde todos os dias aparecem notícias novas, morte de ministro, ascenção do crime ao poder, surubas e abusos. Isso tem um limite.

Temos que estar atentos, nós do sofá. A Internet é espaço de todos. E, apesar da maioria viver sua vida virtual frequentando softwares como fb, google, wapp, twitter, instagram, youtube e afins, o mundo virtual vai muito além. As possibilidades são muito maiores. A Internet é sobre pessoas e não sobre ferramentas e computadores. Um dia esse feitiço vira contra o feiticeiro. Jamais subestime os ativistas de sofá.