O embrião da democracia participativa

 

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É bem interessante observar os encaminhamentos do que chamo o embrião de uma democracia participativa. Avaaz, Change, entre outras ferramentas de petições online têm se mostrado atuantes no que concerne as políticas estapafúrdias do Brasil. Todos os dias aparece na minha timeline ou no meu email chamadas para assinar e apoiar alguma manifestação política ou de ubicação local.

Não importa o tamanho da causa. É lógico que um #foracunha tende a arregimentar milhões de pessoas que depositaram seus votos nas urnas com a esperança de um pais melhor. Como sabemos que voto não tem servido para muita coisa, apostamos numa tendência que opera na participação popular em grande escala. Uma democracia que apela por um apoio, mesmo que o ato de apoiar não vá para as ruas. Uma revolução que acontece à frente do computador. Parece que os ativistas de sofá serão os agentes de transformação do futuro. Cabe à sociedade comprender que esta é uma mudança paradigmática.

Em 2009, ainda no afã dos projetos de inclusão digital, entendemos que a geração de lixo eletrônico era muito nociva para o ambiente. Com a quantidade de pessoas entrando para o mundo digital deveríamos fazer alguma coisa para mudar o cenário. Foi criado assim um coletivo, o lixoeletronico.org. Naquele momento, coincidentemente, estava tramitando no ‘retrocesso nacional’ um projeto de lei sobre os resíduos sólidos. É lógico que o parágrafo sobre o lixo eletonico havia sido retirado pela comissão em questão. Como pressionar para haver um bom encaminhamento para o lixo eletrônico junto ao projeto-lei? Fizemos uma petição, um abaixo assinado que reuniu umas 15.000 pessoas. Este numero, que parece pífio em termos de redes sociais, fez a diferença. Conseguimos reconduzir o lixo eletrônico para a criação de uma lei que responsabiliza as empresas produtoras e importadoras de eletrônicos. Podemos dizer que fomos bem-sucedidos. O lixo eletrônico passou a ser retirado pelas empresas. A reciclagem, o reuso e a engenharia reversa é uma conversa que ainda terá que acontecer. Talvez serão nossos filhos os protagonistas das mudanças tão necessárias.

Pois, hoje na timeline apareceu uma notícia sobre a entrega de uma petição #foracunha no ‘retrocesso nacional’. Xingamentos a parte direcionados ao colega Diego Casaes, cabe salientar que estamos incomodando muito. Eu acredito que muito dessa crise que passamos no Brasil tem a ver com a transparência conquistada nesses últimos anos. A possibilidade que a Internet nos oferece em termos de pesquisas e acompanhamentos de como a gestão pública atua e tem mostrado que o buraco é bem mais embaixo. Não adianta culpar um ou outro. O sistema é corrompido. E seguir os passos dessa corrupção nunca foi tão fácil. Não é a toa que o ‘retrocesso nacional’ busca fórmulas milagrosas para tirar a Internet das mãos da gentalha. Aumentar as tarifas e diminuir a quantidade de banda só vai ajudar os políticos a manter seus investimentos nas contas suiças e nos paraisos fiscais. Vai também ajudar a globo a deter seu maior competidor, a Netflix. Não podemos deixar isso acontecer, né?

Apesar do desinteresse da política tradicional em acolher nossas petições como um documento democrático e participativo conhecemos a força da multidão. Muitas empresas não deram ouvidos para o barulho da revolução digital. As gravadoras tentaram de todos os modos criminalizar o Napster. Até que conseguiram. Mas depois do Napster, nunca mais o negócio de música foi o mesmo. Outros napsters (gnutella, torrents, emule. etc…) surgiram para dar continuidade a distribuição livre de músicas. No final, quem teve que mudar foi o mercado de músicas que começou a oferecer serviços de streaming. A música continua livre pra quem quiser procurar. Na política não será diferente. Por mais que queiram segurar a Internet, ela vai continuar se expandindo e vai tomar de sopetão os espaços da democracia. Creio que esta é mais uma tendência inexorável 😉

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