Curadoria mais que perfeita

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Uma das maiores brechas que a internet nos trouxe foi a possibilidade de todos publicarem o que desejam sem filtro. Romper com o velho sistema das editorias da imprensa. A Internet está permitindo conversações entre seres humanos que simplesmente não eram possíveis na era da mídia de massa.

Ora, se todos podem publicar seus próprios pensamentos e serem editores de si, fica a pergunta: para que precisamos de curadores/ editores?

Pois é, não precisamos mais da figura mediadora entre a produção e a recepção. Ninguem mais leva a sério dentro das universidades de comunicações as teorias capengas que se tornaram apenas maquiagem da indústria da informação.

Mas de um tempo pra cá, o papel de curador / editor começou a ser elevado para um nível ‘cool’. Ou seja, o curador passou a ser um caçador de emoções. Aquele personagem que distribui a produção alheia. Uma nova relação de poder que determina o que é bom, o quase bom e o desprezível. Isto é muito estranho. Nonsense. Pois a tecnologia aparente construiu um leque de opções para expandir a reputação das pessoas que participam das redes. O Slashdot, um blog colaborativo geek nos trouxe a noção do karma. Onde cada participante tem um feedback da sua ação dentro do site e, além disso, tem a incumbência de moderação colaborativa.

Pois bem, a moderação colaborativa é o esforço da tecnologia para manter uma distribuição equalitária do poder da voz. É lógico que se trata de experimentos que nunca chegam à apoteose. Mas é uma tendência de futuro. As pessoas tem sempre uma curadoria parcial daquilo que é visto online. Seguimos as dicas das pessoas e suas reputações. É assim que funciona.

Por exemplo, no FB temos um monte de amigos, seguidores e pessoas que seguimos. A informação chega de diversas fontes humanas que avaliamos como boas ou ruins dependendo de quem está postando ou compartilhando. O poder da curadoria não está mais na mão dos ditos curadores. Eles fazem a parte de selecionar o que lhes interessa. Uma espécie de edição pessoal. Mas isso pouco importa ao leitor/ receptor ou usuário. O poder está nas mãos das pessoas comuns, que se linkam como elas bem entenderem. O consumo final das informações se dará na boca do povo. Ou seja, cada um tem um interesse singular.

Não existe alguém que possa dizer o que é bom ou ruim. Essa é uma prerrogativa coletiva. Tá tudo distribuído na rede. E digo isso no âmbito da informação, da literatura, da poesia, da crítica e das artes. Este olhar pertence as pessoas que fazem a sua própria curadoria mais que perfeita.

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