O embrião da democracia participativa

 

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É bem interessante observar os encaminhamentos do que chamo o embrião de uma democracia participativa. Avaaz, Change, entre outras ferramentas de petições online têm se mostrado atuantes no que concerne as políticas estapafúrdias do Brasil. Todos os dias aparece na minha timeline ou no meu email chamadas para assinar e apoiar alguma manifestação política ou de ubicação local.

Não importa o tamanho da causa. É lógico que um #foracunha tende a arregimentar milhões de pessoas que depositaram seus votos nas urnas com a esperança de um pais melhor. Como sabemos que voto não tem servido para muita coisa, apostamos numa tendência que opera na participação popular em grande escala. Uma democracia que apela por um apoio, mesmo que o ato de apoiar não vá para as ruas. Uma revolução que acontece à frente do computador. Parece que os ativistas de sofá serão os agentes de transformação do futuro. Cabe à sociedade comprender que esta é uma mudança paradigmática.

Em 2009, ainda no afã dos projetos de inclusão digital, entendemos que a geração de lixo eletrônico era muito nociva para o ambiente. Com a quantidade de pessoas entrando para o mundo digital deveríamos fazer alguma coisa para mudar o cenário. Foi criado assim um coletivo, o lixoeletronico.org. Naquele momento, coincidentemente, estava tramitando no ‘retrocesso nacional’ um projeto de lei sobre os resíduos sólidos. É lógico que o parágrafo sobre o lixo eletonico havia sido retirado pela comissão em questão. Como pressionar para haver um bom encaminhamento para o lixo eletrônico junto ao projeto-lei? Fizemos uma petição, um abaixo assinado que reuniu umas 15.000 pessoas. Este numero, que parece pífio em termos de redes sociais, fez a diferença. Conseguimos reconduzir o lixo eletrônico para a criação de uma lei que responsabiliza as empresas produtoras e importadoras de eletrônicos. Podemos dizer que fomos bem-sucedidos. O lixo eletrônico passou a ser retirado pelas empresas. A reciclagem, o reuso e a engenharia reversa é uma conversa que ainda terá que acontecer. Talvez serão nossos filhos os protagonistas das mudanças tão necessárias.

Pois, hoje na timeline apareceu uma notícia sobre a entrega de uma petição #foracunha no ‘retrocesso nacional’. Xingamentos a parte direcionados ao colega Diego Casaes, cabe salientar que estamos incomodando muito. Eu acredito que muito dessa crise que passamos no Brasil tem a ver com a transparência conquistada nesses últimos anos. A possibilidade que a Internet nos oferece em termos de pesquisas e acompanhamentos de como a gestão pública atua e tem mostrado que o buraco é bem mais embaixo. Não adianta culpar um ou outro. O sistema é corrompido. E seguir os passos dessa corrupção nunca foi tão fácil. Não é a toa que o ‘retrocesso nacional’ busca fórmulas milagrosas para tirar a Internet das mãos da gentalha. Aumentar as tarifas e diminuir a quantidade de banda só vai ajudar os políticos a manter seus investimentos nas contas suiças e nos paraisos fiscais. Vai também ajudar a globo a deter seu maior competidor, a Netflix. Não podemos deixar isso acontecer, né?

Apesar do desinteresse da política tradicional em acolher nossas petições como um documento democrático e participativo conhecemos a força da multidão. Muitas empresas não deram ouvidos para o barulho da revolução digital. As gravadoras tentaram de todos os modos criminalizar o Napster. Até que conseguiram. Mas depois do Napster, nunca mais o negócio de música foi o mesmo. Outros napsters (gnutella, torrents, emule. etc…) surgiram para dar continuidade a distribuição livre de músicas. No final, quem teve que mudar foi o mercado de músicas que começou a oferecer serviços de streaming. A música continua livre pra quem quiser procurar. Na política não será diferente. Por mais que queiram segurar a Internet, ela vai continuar se expandindo e vai tomar de sopetão os espaços da democracia. Creio que esta é mais uma tendência inexorável 😉

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A ineficência dos enormes grupos

times-ou-grupos-bruno-calderaro-2Tudo na Internet é escalável. Os nossos contatos tendem sempre a crescer, encontramos mais e mais amigos na rede. Sem muito alarde é fácil juntar 2000 amigos no fb, 1000 seguidores no twitter e outros tantos no Instagram. Mas o que significa isso?

Na verdade, não tem a menor coerência. Nada faz sentido. Amigos só são operativos quando existe uma relação envolvida. Amigo não é um contato no fb. Amigo é um leque de possibilidades. Ou como diria Foucault: cada um tem o que merece.

Eu sigo uma teoria de redes, uma ideia de massa e poder baseada nos trabalhos teóricos de Elias Canetti. A Massa é formada por indivíduos sociais, o importante na massa não é sua quantidade, mas sim se os indivíduos estão envolvidos socialmente uns com os outros. Por esse motivo, há grandes e pequenas massas. Massa é um comportamento, isto é uma forma de reagir a certos acontecimentos e reage a ele de forma padronizada e repetitiva.

Tudo que vira massa perde potência, ou seja, cresce tanto perde a singularidade, as coisas deixam de ser tratadas como uma explosão de possibilidades e se transformam em poder.

Para se manter atuante, com a potência à flor da pele, a massa não pode crescer. Ela tem que permanecer pequena o suficiente para que as singularidades existam e consigam se diferenciar e transgredir.

Pois, a tendência em rede é sempre crescer. Mas isso não é muito bons para os nossos negócios. Precisamos pensar em como trabalhar focado em projetos e colaborar nas ações intemediárias. As redes se formam de diversas maneiras, não existe padrões para o comportamento delas. É uma questão que tem a ver com o estar no mundo de cada um. Algumas pessoas conseguem se relacionar horizontalmente. Outras precisam mandar ou ser mandadas. É uma característica singular que não pode ser consumida pela massa.

Grandes grupos se comportam como tal. Quando viram algo, já não são. Em rede, a criatividade acontece sempre no pequeno. Small is beatiful 😉

Desvios

cd22bdc89ca7dd071175ce3f89e08784Estou buscando pelas coisas novas. Projetos de inovação, criativos pela própria natureza. Algo que realmente vai revolucionar as práticas do século 21. Tá difícil achar 😉

As respostas ainda são as mesmas. Não há nada mais inovador em termos de sociedade do que a proposta hacker por uma economia focada no valor das relações, redes, copyleft, colaboração e da capacidade de aprender em rede numa metodologia de acerto e erro. Esta proposta hacker tem alimentado as redes de debates, de vídeo-tutoriais e de quase toda ação que tem na generosidade de querer transferir conhecimentos de maneira livre e grátis o seu aspecto mais altruísta.

A ideia hacker é importada, passou por um processo de digitofagia e incorporou-se sobremaneira à cultura brasileira. Brasil is Hacker é uma condição de sobrevivência que encontramos nos puxadinhos tecnológicos. Diferentemente de outros conceitos também importados conseguimos ampliar o cenário hacker para tecnologias low-tech, descarte das indústrias e lixo eletrônico. E, de certa forma, entende-se que a revolução dos fazedores está em trabalhar nas soluções do possível. Usar a ferramenta que se tem à mão. A gambiarra traduz melhor o sentido e as diferenças dos fazedores em comparação com a atitude maker.

O mundo maker é limpinho. Tem o foco num ferramental que facilita a execução de projetos. Muito embora, em termos de criatividade ainda deixa a desejar, pois está focado na técnica e nas ferramentas que replicam aspectos inovadores. Está baseado em kits, nas coisas prontas, na matéria prima e na execução.

A criatividade, no entanto, está em outro lugar. Ela vive no domínio dos processos. Na potencialidade de desvios, de novos usos e do reaproveitamento das coisas que a sociedade não quer mais. No lixo é onde encontramos abundância de recursos e com valores acessíveis. A reciclagem e o reaproveitamento aparecem como possibilidade de futuro. Onde a criatividade de remixar processos, procurar atalhos e replicar o conhecimento fazem toda a diferença para um futuro possível.

Enquanto nada mais acontece vamos continuar procurando por desvios.

 

 

 

O que é colaboração?

towin_img2O que significa colaboração? Ou, melhor, projetos colaborativos? Bem, colaboração é um modo de produção. Diferentemente das ideias tradicionais, a colaboração tem vida própria. Emerge num ambiente caótico, como a internet, e num movimento de baixo para cima, alcança um nível razoável de organização. As pessoas têm na internet mais do que uma ferramenta. Utilizam-na como uma aliada. E, desta forma, catalisam a conversação assíncrona entre pessoas comuns. Tenho estudado desde o Projeto Metáfora alguns modelos de colaboração descentralizada. Esses modelos funcionam muito bem na informalidade. O desenvolvimento do Linux, do Apache, do Wikipedia e de outros muitos projetos livres são bons exemplos. São casos que identificam o processo como vivo e operante.

A resposta está na prática da inteligência coletiva. Num ecossistema de ideias livres baseado na generosidade e no modo de produção catalisado pela recombinação. A academia, as empresas, o Estado e o terceiro setor entram nessa equação. Mas não como protagonistas ou como detentores do conhecimento e da inovação. São participantes, pois, neste ambiente hiperlinkado, o que vale é a reputação.

Mas há um dilema. Projetos colaborativos carecem de financiamento. E mais, não existe uma fórmula ajustada de viabilidade econômica para sustentação de projetos. Colaboração exige muito das pessoas e funciona muito bem quando podemos utilizar a ferramenta colaborativa no seu potencial. Seja esta ferramenta um computador, um caderno de anotações, um lápis ou apenas uma boca falante. Mas nem sempre retorna como remuneração. E isso mão tem muito valor quando é necessário criar filhos, pagar contas e comprar o jantar para o dia seguinte. O desafio da nova economia está em valorizar a reputação.

Curadoria mais que perfeita

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Uma das maiores brechas que a internet nos trouxe foi a possibilidade de todos publicarem o que desejam sem filtro. Romper com o velho sistema das editorias da imprensa. A Internet está permitindo conversações entre seres humanos que simplesmente não eram possíveis na era da mídia de massa.

Ora, se todos podem publicar seus próprios pensamentos e serem editores de si, fica a pergunta: para que precisamos de curadores/ editores?

Pois é, não precisamos mais da figura mediadora entre a produção e a recepção. Ninguem mais leva a sério dentro das universidades de comunicações as teorias capengas que se tornaram apenas maquiagem da indústria da informação.

Mas de um tempo pra cá, o papel de curador / editor começou a ser elevado para um nível ‘cool’. Ou seja, o curador passou a ser um caçador de emoções. Aquele personagem que distribui a produção alheia. Uma nova relação de poder que determina o que é bom, o quase bom e o desprezível. Isto é muito estranho. Nonsense. Pois a tecnologia aparente construiu um leque de opções para expandir a reputação das pessoas que participam das redes. O Slashdot, um blog colaborativo geek nos trouxe a noção do karma. Onde cada participante tem um feedback da sua ação dentro do site e, além disso, tem a incumbência de moderação colaborativa.

Pois bem, a moderação colaborativa é o esforço da tecnologia para manter uma distribuição equalitária do poder da voz. É lógico que se trata de experimentos que nunca chegam à apoteose. Mas é uma tendência de futuro. As pessoas tem sempre uma curadoria parcial daquilo que é visto online. Seguimos as dicas das pessoas e suas reputações. É assim que funciona.

Por exemplo, no FB temos um monte de amigos, seguidores e pessoas que seguimos. A informação chega de diversas fontes humanas que avaliamos como boas ou ruins dependendo de quem está postando ou compartilhando. O poder da curadoria não está mais na mão dos ditos curadores. Eles fazem a parte de selecionar o que lhes interessa. Uma espécie de edição pessoal. Mas isso pouco importa ao leitor/ receptor ou usuário. O poder está nas mãos das pessoas comuns, que se linkam como elas bem entenderem. O consumo final das informações se dará na boca do povo. Ou seja, cada um tem um interesse singular.

Não existe alguém que possa dizer o que é bom ou ruim. Essa é uma prerrogativa coletiva. Tá tudo distribuído na rede. E digo isso no âmbito da informação, da literatura, da poesia, da crítica e das artes. Este olhar pertence as pessoas que fazem a sua própria curadoria mais que perfeita.

Dá um boot and start again

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Só de imaginar a possibilidade de recomeçar já é importante para uma perspectiva de futuro;

Em tecnologia dar um boot é uma tarefa corriqueira. No entanto, o boot tem uma função específica: reiniciar o sistema padrão. É lógico que a faxina faz uma limpeza geral na memória RAM que é interessante para todo tipo de sistema.

Mas como costumo dizer, na vida real não tem undo. Logo, recomeçar é trazer junto os nossos conhecimento, erros e acertos e atualizar.

Creio que atualizar é a palavra que me deixa a vontade para pensar na contemporaneidade. Estamos sempre nos atualizando para cumprir a nossa própria evolução. E quando pensamos em cursos e afins a ideia é essa: atualizar o contexto e potencializar o conhecimento.

As nossas buscas nos deveriam elevar para a compreensão do espírito do tempo. O que queremos na nossa vida? qual é o futuro? Não acredito que temos respostas prontas para todas as questões. A solução deve ser construída caso a caso.

A ideia que propomos desenvolver está no processo e na análise dinãmica do impacto das tecnologias socias no âmbito da sociedade. Desta forma, alguns parâmetros são paradigmáticos, ou seja: entender o que é colaboração, apropriação da tecnologia, gambiarra, conversações e principalmente, a característica principal das redes sociais onde o hiperlink subverte a hierarquia. Ou seja, a velha hierarquia de comando e controle é substituida pela liberdade; A tecnologia amplia sobremaneira a produção de subjetividades. Isto significa que as pessoas estão produzindo conhecimento como nunca antes na história da humanidade.

Nesse processo de apropriação da tecnologia o que importa é a emergência de conversas. Uma forma de comunicação de baixo pra cima capaz de se organizar em redes sociais, no sentido mais amplo possivel. Uma conversa que se dá na participação, no compartilhamento e na disponibilização de links, ideias, projetos, poesias, textos, vídeos e onde mais a criatividade humana consegue relacionar.

Essa conversa não é muito visível. Pois está sempre misturada com dicas, links e toda gama de conteúdo que faz a web se mexer no dia-a-dia. Mas ganha uma velocidade através das ferramentas de redes sociais (no sentido mais restrito possivel). Twitter, facebook, blogs distribuem essas conversas . O espectador é o amigo do amigo. Ou, aquele que recebe a informação pelas palavras do amigo. A propagação se faz pelo link.

Desta forma, o conhecimento corre solto. Não está mais atrelado ao binômio conhecimento e poder. O conhecimento está distribuído em rede e o que precisamos é saber busca-lo. Esta necessidade modifica por completo o aprendizado.

Vivemos, então, num mundo onde as relações entre as pessoas catapultam novas formas de aprender e ensinar. As relações cada vez mais enredadas, a exposição e a documentação das nossas ideias e a capacidade de processamento que a tecnologia proporciona traz novas possibilidades para os criativos. cada vez mais precisamos menos das instituições formais para estar antenado com o que acontece no mundo. Qualquer um pode construir o que quiser simplesmente acessando o conteúdo disponibilizado e distribuído em rede. Podemos desenvolver um drone caseiro, uma bicicleta que produz energia, uma CNC de corte à laser ou uma impressora 3d. É só visitar alguns tutoriais e sair numa expedição pela santa ifigênia que teu sonho se tornará realidade. qualquer um, também, pode construir uma bomba ou orquestrar um ato terrorista. Pois, a realidade é de cada um, múltipla e, de certa forma, não faz julgamentos. Atua tanto para o bem, como para o mal.

Podemos dizer que as grandes inovações desde a segunda metade do século 20 aconteceram a partir de uma ideia desenvolvida numa garagem qualquer. A Apple é resultado do início do movimento maker. Muitas outras empresas começaram a partir de um processo criativo. e, uma vontade muito grande de resolver problemas e enfrentar os desafios da atualidade.

Creio que o aprendizado vem com a apropriação. Não se aprende matemática, inglês ou qualquer outra matéria se não formos estimulados a se valer desse aprendizado para fazer algo que faça sentido para nossa vida. No entanto, cada um tem um interesse muito diferente. Por isso, entendemos o ser humano como múlltiplo. Tanto na expressão como na cognição.

Tudo seria mais fácil se ao invés de sentarmos numa sala de aula ou num laboratório tradicional, o aprendizado fosse focado nos projetos de cada um. E debatidos, conversados e ressignificados num grupo colaborativo e atuante. Talvez muitas pessoas acham que não tem projetos. Mas quando experimentam tornam-se aquilo que negam. E, começam a produzir subjetividades que estavam ocupando as áreas vazias das mentes. Para isso é só observar como pessoas começam a produzir em rede e expõe uma quantidade de conhecimentos que antes estavam escondidos. Esse é o grande legado do mundo conectado. Graças a web, ‘as pessoas’ estão se tornando mais informadas, mais inteligentes, e demandando qualidades perdidas na maioria das organizações.

Momento de reflexão

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Este é um momento de reflexão. Essa crise politica no br é um retrocesso muito grande para quem imaginou que a internet com suas redes sociais podia realmente mudar a trajetória da humanidade.
 
Em primeiro lugar, acho que estamos em perigo. Além das possibilidades reais de uma censura na Internet que acontece em dois flancos, ou seja, pela criminalização das ações dos internautas e pela supertarifação da banda larga. Com essa perspectiva é provável que a luz no final do túnel fique bem tênue.
 
O marketing na internet virou um jogo chato. Posts diários para manter uma conversa forçada com seus iguais. A Camêra de Eco é o efeito que melhor se reproduz em rede. Falamos com pessoas que são iguais e não experimentamos a multiplicidade de vozes. O facebook não deixa que a conversa role solta. Eles querem é vender o impulsionamento fake das mensagens. E, isso faz da rede um simulacro capenga do massmedia. Para que a conversa entre as pessoas aconteça há de ampliar as trocas, os compartilhamentos da diversidade. A teoria do agendamento ainda perpetua nas camadas retrógradas da comunicação. Estamos numa pescaria em águas sem peixes.
 
Não existem pontes. Existe um firewall corporativo, institucional e partidarizado que expande as mentes suspeitas. É uma espécie de ‘no pasaran’ as avessas. É uma destruição de possibilidades de futuro. Pois, a única solução viável que se apresenta para a continuidade do ser humano na terra seria a ruptura por completo do sistema. Um sistema corrupto e corruptível que só vai piorar a condição humana.
 
Eu ainda creio que a jornada hacker, uma nova ética em andamento poderia colocar em pratos limpos a sociedade como um todo. Estamos abrindo os espaços de transparência. Não haveria essa crise moral no br (e no mundo) se não fosse a esperança das pessoas em buscar os vazamentos de informações fraudulentas. Wikileaks, Panama Papers são apenas ponta de iceberg. O grosso ainda está para ser revelado. E, sempre haverá alguém pra fuçar os dados. Não é a toa que no congresso de ladrões está querendo fechar a internet para garantir o silêncio dos inocentes.
 
Sei lá, não vejo a hora dos zumbis chegarem

O desconvencional

Oculus_SSZ-580-90O perfil do profissional está mudando a passos largos. O perfil mais atual é aquele que ‘teria’ autonomia, vontade própria, soluções inusitadas para problemas cotidianos e, principalmente, uma formação não convencional. A grande empresa não absorve este perfil. Medo de não conseguir manter o comando e o controle.

 

Do ponto de vista do profissional esta é uma tendência inequívoca. As novas gerações estão se valendo de todas as benesses de um mundo remediado pelas tecnologias sociais. A comunicação é mais rápida, a informação corre solta e existe a vontade de se fazer algo diferente do que apertar parafusos para ajustar a máquina capitalista.

 

No entanto, para mim é claro que toda essa transparência provocada pelas redes sociais, juntamente a mudança de perfil da geração 1900-2000, tem provocado uma certa confusão nas empresas constituídas. Por um lado, clamam pela criatividade e transformação. E, por outro, o conservadorismo de manter o convencional é maior do que qualquer outro campo de força. As empresas vivem no deserto das mentes suspeitas.

 

É lógico que estou fazendo esta análise sob o ponto de vista brasil. As empresas de tecnologias nos países de primeiro mundo são inovadoras per si. E, já nascem sob o paradigma do século 21. Nós, brasileiros, somos usuários de tecnologias. Desenvolvemos principalmente sobre a camada de uso. E, não da inovação e criação. Não criamos o google, a apple, nem android, nem nada amadurece a partir daqui. Mas, usamos muito bem toda essa traquitana para atender nosso dia a dia.

 

Creio que o profissional do futuro está penando para sobreviver. O mercado criativo absorve esses profissionais pela necessidade dos próprios. As soluções inovadoras estão pipocando de forma muito rápida. O mercado ativista, ou seja, coletivos que agem socialmente em prol de alguma causa, seja ciclovia, produtos orgânicos, veganismo, produtos culturais e até politicos estão absorvendo esses talentos. No entanto, o mercado freela, aquele que banca as contas promove a terceirização desses criativos para a produção de marketing e comunicação. Totalmente paradoxal.

 

Causa um certo enjoo que o incentivo para esses novos profissionais não é contemplado por ações de políticas públicas inclusivas e pelo financiamento de polos inovadores. Pouco é feito. Algumas ações existem mas estão contaminadas pelo sistema de camaradagem. O mercado criativo sobrevive sob o viés do empreendedorismo. Isto significa que tende a ser uma ação mais individual ou de pequenos grupos. A inovação é questionável. Antigamente o carrinho de cachorro quente era uma solução das classes menos favorecidas. O food truck é a resposta da economia criativa. Apenas um reposicionamento de mercado. Sorry, mas este tipo de inovação não é exatamente o que estamos procurando.

 

Mas o que estamos procurando? O crescimento de um mercado não se dá no produto final. O desenvolvimento se dá na viabilização de talentos que se envolvem neste mercado em diversas camadas. Tanto no desenvolvimento de novas ideias, na maturaçao e no produto final. É uma ecologia de rede criativa que só faz sentido quando a busca é colaborativa.

 

O convencional não alimenta esta rede de crenças e desejos. É necessário tentar novas formas de se fazer. O mercado criativo é a promessa contemporânea. Mas, sempre tem um mas para entendermos que como sociedade precisamos sair da caixa e rever as possibilidades.

Cada um tem a internet que merece

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Eu ando bem de saco cheio do funcionamento atual da internet. Principalmente no que tem se constituido como a web 2.0 (ou superior). O esquema proposto pelos desenvolvedores do facebook e de outros aplicativos de redes sociais privilegiam a ideia do curtir e compartilhar como se fossem as únicas formas de interação online. Os comentários são usados para um debate bate-boca ou para reiterar aquilo que se fala. Corações e emoticons são um plus nesse cotidiano digital.

Não tenho uma resposta para esses features que se alastram na rede. mas tenho críticas. Curtir é um apoio não muito sincero para os posts, imagens, vídeos.

Nessa semana, uma amiga querida fez um post enorme em homenagem a sua mãe. Eu li todo aquele textão, pois além de ter conhecido a homenageada e ter tido um relacionamento amigável com ela, gosto muito da filha e autora do texto. Curti. No entanto, após um tempinho minha amiga veio inbox me perguntar se eu realmente havia lido tudo para curtir. Disse que sim e, perguntei se ela iria me tomar? Respondi com facilidade seus questionamentos e percebi o quão frágil é essa interação. Desta vez eu havia lido, mas outras tantas, em outras situações eu usei meu curtir apenas como uma ferramenta de profusão de afetos. Não necessariamnete havia lido ou mesmo curtido de verdade. Curtir não é sobre audência. É sobre relação.

Assim, fiquei pensando naqueles marqueteiros que compram seus likes como se fossem a última novidade em publicidade. Tadinhos, estão apenas trocando seu rico dinheirinho pela ilusão de conquistar o mundo num instante.

Pensar na web exige um engajamento dos interlocutores em rede. Não dá pra achar que a informação corre solta e se multiplica como um viral a cada momento. Viralizar um assunto depende principalmente do engajamento das pessoas pelo tema. Assim, percebo que muitas vezes é mais fácil viralizar bobagens do que assuntos mais sérios. As pessoas preferem informações efêmeras, que se desmancham no scroll da timeline. É duro, mas é a real.

A promessa da Internet sempre foi o retorno da voz. A possibilidade de postar ideias, debater e fazer do conhecimento um agente de transformação da sociedade. Entendo que avançamos bastante desde que os cabos conectaram os computadores e criaram essas redes tão potentes. Mas acredito também que a revolução digital deu uma estancada. Talvez pelo crescimento de um uso, de certa forma indevido, que é provocado pelas empresas, pela política e pelo marketing. Estes querem apenas que a informação emitida por eles alcancem o máximo de pessoas. Uma emulação capenga da mídia de massa que foi caducada pela entrada da tecnologia digital e o impacto desta tecnologia na sociedade. Internet não é para alcançar multidões. Ou melhor, a internet é para as pessoas conversarem entre elas. Um fluxo rizomático e despretensioso. Sem um resultado final que possa ser mensurado e vendido como o espirito do tempo.

Pois, o Fla-Flu, as informações contraditórias, o excesso de mentiras, os fakes são todos criados para confundir. Onde está a inteligência coletiva? Cadê a revolução não televisionada? Por que será que as propostas para um mundo melhor não deslancham? São perguntas nas quais suas respostas estão em cada um de nós. Vale refletir.