O aprendizado contemporâneo

anatomy-lesson-dr-nicolaes-tulpVivemos os tempos das relações fluídas. Na verdade, prefiro o termo relações gasosas. A ideia do liquido necessitar de um recipiente para contê-lo não me agrada como metáfora da contemporaneidade. O gasoso se expande. E, se estabelece numa interface do intermezzo. Entre mim e você existe uma quantidade de moléculas que caracterizam um ambiente no qual estamos juntos.

Mas o que tem a ver toda essa explicação filosófica com o aprendizado? Pois, tem tudo a ver. Em primeiro lugar, a ideia de conhecimento foi teletransportada para a rede. Uma ruptura com os containers do conhecimento de outrora, onde a dicotomia do conhecimento e poder se apresentavam como o lado da mesma moeda. A entrada das redes sociais fez a transposição do conhecimento para a rede. E, nesta lógica, o professor já não é mais o grande mestre. A relação se torna quase que igualitária. O aluno está sob o controle do seu próprio aprendizado.

O professor torna-se então um facilitador de experiências. Creio que a proatividade das novas gerações em termos de busca por conhecimentos na rede e colaboração tem nos mostrado novos caminhos para a educação. Aquele que quer aprender tem sob seu domínio todas as informações necessárias nas redes. são inúmeros tutoriais, cursos, textos, livros e tantas outras mídias que só não aprende quem não quiser.

No entanto, toda essa quantidade de informação está jogada na rede. Não é fácil discernir o bom conteúdo daquele que é criado em condições suspeitas. Para se entender nesse mundo digital é necessário ser um hacker, um artesão da informação que tem a capacidade de checar os caminhos tortuosos da rede. Um hacker não precisa de facilitação. Ele as cria durante seu percurso cibernético. Sabe escovar os bits para recriar, remixar e produzir subjetividades com os recursos digitais graciosamente liberados.

Esse não é o caso das pessoas comuns. A Netflix entendeu isso antes de todos nós. Pois, apesar das músicas e filmes estarem praticamente livres na rede, eles criaram um aplicativo para facilitar (e legalizar) o acesso aos conteúdos. As pessoas preferem pagar por uma ajuda extra do que sair a procura dos novos territórios do conhecimento. O mapeamento é importante como um agente facilitador.

A prática do aprendizado contemporâneo está em ampliar os caminhos, refinar a pesquisa e trabalhar a experiência de construção de um conhecimento que se solidifica a partir do desenvolvimento colaborativo. Não se aprende sozinho. É função do ser-em-rede se retro-alimentar das informações disponibilizadas para construir uma nova humanidade. Sempre juntos!

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