Em busca do futuro perdido

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O futuro já chegou. Um pouco diferente daquele futuro que havíamos imaginado. Um futuro onde as máquinas ganhariam uma inteligência suprema e se revoltariam contra os criadores. Pode ser que essa profecia ainda se torne realidade. Mas não houve um investimento na inteligência artificial autônoma como modelo de sistema de controle.

Chegamos bem perto de um sistema controlado pela inteligência coletiva. Um panóptico que se desvela a cada segundo por trás das câmeras de segurança e devices de observação. O controle se dá pela sensação e realidade que estamos em todos os lugares permanentemente.

O futuro chegou para ser combatido. As tecnologias ampliaram o sistema de liberdade. Dando voz às pessoas comuns. Que cada vez mais podem esbravejar para denunciar as falcatruas do presente. As nossas liberdades foram catapultadas para uma capacidade de se organizar muito eficiente. E isso, graças as novas políticas de multidão. Mostrando que as possibilidades de uma democracia participativa nunca estiveram tão na mão.

Mas isso não é muito bom para quem precisa do poder para viver. As novas tecnologias ampliaram a noção de transparência. As leis que promoviam a publicação de todas as transações institucionalizadas deixaram de ser apenas uma máscara, uma demanda utópica da sociedade civil organizada e se tornou possível e acessível. Não é a toa que hoje sabemos detalhes das operações ilícitas da política dos partidos. É só seguir a informação e a grana.

Eu creio que os políticos são conservadores por natureza. Para existir tal classe política há de existir também a instituição. E, essa está sofrendo com as rupturas contemporâneas como tantas outras indústrias e instituições. É possível fazer política sem políticos profissionais. E já estamos assistindo de camarote ações políticas que tem no comum sua bandeira de aglutinação. Um terrorismo poético como sugere Hakim Bey. A ocupação das escolas paulistas é prova de conceito.

Mas o que querem esses políticos profissionais? Não confio em nenhuma pessoa que escolheu a política como carreira. Essa desconfiança é geral. Existe sempre um burburinho ensurdecedor para esconder embaixo do tapete uma rede de desvios. Uma instituição que se ataca e se defende ao mesmo tempo. E não é um jogo dos bons contra os maus. É um jogo que se faz na surdina e que não tem como objetivo abrir para as massas. É um toma lá, dá cá que enrijece qualquer tentativa de um desenvolvimento mais humano. Uma confusão generalizada que só para recobrir os passos. As delações são piadas prontas nesse fuzuê de canalhas.

No entanto, ainda temos acesso às informações. Um acesso quase que irrestrito se souber destrinchar os arquivos, juntar dados e fazer da transparência um big data para maior participação. Se queremos um mundo melhor teremos que nos envolver. Liberdade não é dada, é uma conquista.

O poder dos mercados está cada vez mais nas mãos das pessoas comuns.

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