Um hacker ocioso

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Estou empolgado em escrever. Fazia alguns anos que essa vontade não vinha à tona. Tento me expressar de múltiplas formas. A arte tem sido a melhor maneira de expor meu pensamento. Tratar de temas como remix, produção de subjetividades, agenciamento, auteridade, colaboração e direitos autorais é parte do que chamamos de contemporaneidade. A entrada da Internet e, por consequência, a emergência das redes sociais tem transformado inexoravelmente a sociedade que vivemos.

Por um tempo longo, escrever me deu muita preguiça. Talvez seja pela própria dinâmica das redes. Comecei faz muito tempo. Quando escrever era metáfora de participação e conversas. Em tempos de FaceBook as conversas aparecem de outras maneiras. Não é necesário muita elucubração. Eu me sinto um hacker ocioso.

Um ócio provocado pelo crescimento de agenciamentos coletivos que me permite descansar em berço explêndido. Não preciso ser trovador da mais louca utopia. As pessoas compartilham essas ideias como memes auto-viralizadas. Uma multidão que faz do paradoxo um outro paradigma. Liberdade, reputação, colaboração, compartilhamento, desterritorialização e conectividade são palavras que ganharam nossos corações e mentes. Não mais é preciso explicar. Apenas a prática vai te levar a enxergar as benesses deste novo mundo.

Lidar com o desconhecido, com a aproximação conversacional, com a liberdade de co-criação, com a autonomia, com a anarquia de se viver em rede. Falar dessa prática é muito complexo. Uma vez que a prática esbarra na mentira nossa de cada dia. É por isso que parei de falar. Resolvi praticar.

De alguma forma, essa prática me levou a entender esse momento de uma forma heterodoxa. Não tenho ficado empolgado de como as pessoas estão se organizando em rede. Pois, isso nos remete a entender como as empresas, os políticos e esse pessoal sem caráter tem se valido das interações informativas para se dar bem. Uma constante de intenções que se confundem nos gestos.

Prefiro tentar entender essa revolução sob o ponto de vista de como as pessoas conseguem se desorganizar. Um ponto de vista caótico mas que tem muito mais a ver com as lógica dos compartilhamentos. Pensar rizoma, autonomia e outros adjetivos relacionados a potencialização do ser humano no estado de multidão pode desmontar as peripécias daqueles que querem estruturar a sociedade sob algum ponto de vista que seja diferente da auto organização.

Uma aposta na cauda longa. É só deixar a transparência desvelar as espessas camadas do capitalismo. Digo isso porque a distribuição tende a roer as velhas instituições. Na prática siga as tentativas de hollywood de criminalizar quem baixa conteúdo desautorizado pela falida lei do copyright. Felizmente, na rede somos todos criminosos.

Essa prática da rede já foi compartilhada. A luta para manter essa conquista esta na ponta da língua da garotada. Para quem vive a dinâmica do acerto e erro entender as facaltruas das instituições que tendem a querer impor um conteúdo formatado. O compartilhamento pode ser entendido como uma estratégia de contra-poder. Dizemos que estar em rede não há mais necessidade de operar a mudança social, ela se faz permanente.

A sociedade sempre funcionou em rede. Aliás, sociedade e rede são conceitos indissociáveis. Os seres humanos vêm se organizando em redes colaborativas desde o começo dos tempos. Há muito que tal tipo de organização permite que sejamos capazes de transformar o mundo ao nosso redor, criando conhecimento e cultura de maneira coletiva. Não há sociedade, se não houver redes: de amigos, famílias, primos e primas. Conectados por um algum fator que combina os anseios, interesses e desejos das pessoas. Redes não são novidades.

A era industrial, sob o domínio da comunicação de massas, deixou a rede escondida. Em segundo plano. Mas, a internet tem nos levado a reviver a ideia. O sistema torna-se mais abrangente. As redes de amigos cresceram. Hoje em dia, com o advento e popularização da Internet, novas redes colaborativas, voltadas para a produção criativa, têm surgido com incrível velocidade, criando bens coletivos de valor inestimável.

A rede dos hackers, um dos exemplos mais evidentes, produz, todos os dias, inovações técnológicas que prometem revolucionar a economia dominante do mercado de software. São os chamados softwares livres, que podem ser instalados gratuitamente no seu computador, permitindo que você realize uma gama enorme de atividades, desde conectar a sua câmera digital até editar e mixar uma música. Mas o mais importante é que estes softwares são bens criativos compartilhados nessas redes, que podem ser estudados e melhorados por todos.

Pretendemos discutir o surgimento das novas redes, o papel da internet e da tecnologia digital como catalisadores de multiplicação, e os impactos sociais, culturais e econômicos deste novo meio de produção criativa. Poder e saber têm significados antagônicos. Entretanto, a sutileza do destino aproximou conceitos tão dispares. Precisamos contextualizar essa dicotomia e pensar no fato de que ainda não começamos a pensar. Pois a equação poder e saber está desbalanceada numa entropia negativa. O saber só existe quando está livre para voar. O conhecimento livre pressupõe o desatrelamento do poder.

A rede indica um futuro libertador. A web só faz sentido quando um se preocupa com o outro. Numa circulação generalizada e libertadora de fluxos de informações e das ondas econômicas.

A web é um mundo que nós criamos para todos nós. Só pode ser compreendido dentro de uma teia criativa que inclua os pensamentos que fundamentam a nossa cultura, com o espírito humano persistindo em todos os nós.

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