Por um dia feliz

dysonO físico e matemático, Freeman Dyson, categoriza dois estilos de se fazer ciência que ele chama de napoleônico e tolstoiano.

O estilo napoleônico é representado por organizações rígidas e muito disciplinadas e se identifica com o mundo dos anos setenta; empresas do tipo da IBM que construiram computadores gigantes, os mainframes. São projetos que consomem muito investimento e que, muitas vezes se tornam grandes elefantes brancos. Nos dias de hoje, projetos napoleônicos são relacionados com as grandes corporações, instituições e todas as partes da sociedade baseadas nos conceitos modernos (aqui, vale considerar que os modernos são os propulsores da era industrial e daquilo que não mais funciona numa sociedade do século XXI. Descartes era moderno 😉 )

O estilo tolstoiano é da criatividade caótica e da liberdade, pode ser representado pelos projetos que deram origem ao computador pessoal, como o Macintosh. Mais recentemente, o impulso do movimento DIY (Do it yourself, faça você mesmo, Makers) que se baseia em pesquisas com resultados práticos, na cultura hacker, nos coletivos, na emergência de novos processos, na rede distribuída e, em outras maravilhas trazidas pela entrada do computador e das redes nas vidas dos seres humanos.

As conclusões de Freeman Dyson favorecem a ciência tolstoiana pois o dinheiro para se investir em ciência será cada vez mais espasmódico e instável, o estilo tolstoiano responde muito melhor em condições adversas.

Infelizmente, pelo que tenho visto, pela disfunção entre a intenção e o gesto, creio que há uma forte tendência entre nós humanos de se desenvolver projetos no estilo tolstoiano com uma disciplina e controles napoleônicos, mas esta combinação tende mais ao fracasso do que ao sucesso. É esperar resultados diferentes com as mesmas ações.

Pensar numa ciência livre é trazer à luz algumas ideias que não são tão facilmente aceitas no mundo como conhecemos, a saber: potência X poder, liberdade X controle, colaboração X  fanfarronices, copyleft X propriedade intelectual, democracia participativa X partidos políticos e, principalmente um cenário onde a picaretagem desapareça da face da terra. Todos estes debates estão abertos. Mas não creio que teremos tempo de esperar por um dia feliz.

Capítulo XX do guia geral de desenvolvimento: como fazer gambiarras (ainda sem link e sem texto)

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