Nas entrelinhas da reputação

tate
Depois de algum tempo navegando pelas geleiras da web comecei a perceber que as  estratégias começam a surtir efeito. Minha opção para distribuir a produção seguiu minha competência como blogueiro. Blogo desde os anos 1998. E blogar, em qualquer ferramenta, é o ato de expor ideias em forma de textos, imagens, áudio e o que mais a tecnologia permitir. No princípio eu optei pelos textos. E, 14 anos depois tenho 3 livros e dezenas de artigos publicados em coletâneas. O blog tem se mostrado uma excelente ferramenta para conversar com amigos e inimigos sobre assuntos muito variados.

Faz uns 3 anos que tenho me esforçado em colocar imagens dos meus trabalhos online. A primeira opção foi fotografar minhas pinturas. Não funcionou. As pinturas perdem demais no trato digital. No FB todos os gatos se tornam pardos e meu trampo acabava sendo desfocado. Comecei a usar o Instagram também. E logo percebi que deveria produzir imagens digitalmente. Comecei a desenhar no sketch easy do meu celular android. Muitas boas imagens sairam dessa conjunção.

Mas faltava algo. Pois a arte na web não faz sentido apenas com a exposição. Ela precisa ser curtida, compartilhada, ou melhor espalhada na web. Eu precisava ampliar as conversas com as pessoas. E isso é complicado. A generosidade é uma moeda em total escassez nos tempos das midias digitais. O limite da generosidade é o medo. Medo de sair da casinha que as pessoas construiram nos velhos tempos das midias de massa. A generosidade é impermanente. Mesmo porque toda a unanimidade é burra como já preconizava Nelson Rodrigues.

Comecei então com um projeto de ocupação. Usei printscreen do google earth e street view para desenvolver uma relação com o espaço afetivo. Revisitar lugares, interferir neles, dar visibilidade àquilo que a sociedade quer esconder é um exercício libertador e poético.

As intervenções estão inseridas no contexto da cultura digital. A minha sensação é estar pixando o mundo. Uma pixação legítima. Acontece em rede, na relação entre as pessoas. Não é uma comunicação de um para muitos. E, sim, entre muitos. A multidão está na potência.

Ocupar os espaços informacionais é ampliar este diálogo. Não é preciso pedir permissão para publicar. As imagens geradas pelo ‘Google Earth’ são capturadas, remixadas com outras imagens, transformadas por softwares e são devolvidas como expressão da arte.

No entanto, o projeto de ocupar o google não atendia o momento do Instagram. Eu precisava estabelecer um contato mais próximo com a fotografia. Comecei assim trabalhar com as Gambiarras Urbanas.

O termo Gambiarra expressa precariedade, ilegalidade. Ele pode servir também para o senso comum definir qualquer desvio ou improvisação aplicados a determinados usos de espaços, máquinas, fiações ou objetos antes destinados a outras funções ou corretamente utilizados em outra configuração.

Os fios são gambiarras institucionalizadas como infraestrutura necessária para a vida. Não nos atentamos com o fato de construirmos uma sociedade que se expande na precariedade. Que se desvela por um simples clique da fotografia do cotidiano.

O projeto Gambiarras Urbanas é o olhar sobre o invisível. Os fios se tecem sobre nossas cabeças e só os percebemos quando olhamos para cima. Esse olhar singular dos fios elétricos traz uma inserção da gambiarra para o contexto da contemporaneidade. A câmera captura a imagem que se amplia com o uso de tecnologias que expandem o olhar. As manipulações digitais potencializam a desconfiguração da realidade. Antes, durante e depois do ato fotográfico. Se por um lado é verdade que manipulações trazem problemas para a fotografia cujo valor está atrelado à credibilidade, por outro ela abre caminhos para a fotografia artística.

Se a fotografia analógica nos permitiu guardar registros do passado, a fotografia digital parece mais propensa a promover simulações do futuro.  A minha sensação é fazer poesia com as imagens mais simples. Um traço que se rasga nos céus. E se espalha nas mídias digitais.

A tecnologia me permite publicar na rede, observar em tempo real a obra na relação entre as pessoas. O instagram expande a distribuição de olhares onde cada pessoa pode expressar a sua singularidade.

Ocupar os espaços informacionais é ampliar este diálogo. Em rede, essa expressão se faz performática e poética.

Pois, hoje estou bem feliz porque percebi que gosto muito das pessoas que me curtem. São pessoas que quero o bem. E que respeito. Não é a  midia de massa empurrando goela abaixo. É rede. Interessa a conversa, a rede de afetos. É a contradição do medo. É reputação. E continua a jornada hacker….

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