Massa e Poder

23out2012---peregrinos-muculmanos-rezam-do-lado-de-fora-da-grande-mesquita-na-cidade-sagrada-de-meca-na-arabia-saudita-1351005988922_956x500

A Massa é formada por indivíduos sociais, o importante na massa não é sua quantidade, mas sim se os indivíduos estão envolvidos socialmente uns com os outros. Por esse motivo, há grandes e pequenas massas.

(…) No âmbito das massas, elas existem tanto abertas quanto fechadas. Abertas, pois querem sempre mais adeptos e o quanto de pessoas conseguirem inserir no seu grupo. Podem crescer ilimitadamente, pois não existe fronteira para deter seu crescimento. É chamada também de massa natural, ela só se constitui como massa por sua eterna forma de crescimento, aderindo a adeptos. Ela começa a se desintegrar quando esse processo para de existir, o crescimento.

A massa fechada, por sua vez, preza pela durabilidade. Ela é fixa, e por isso é determinado um lugar para que ela exista. O acesso a essa massa é limitado, pois o espaço é limitado, existe uma fronteira, e essa fronteira impede um crescimento desproporcional com o ideal da massa fechada, o que dificulta a sua desintegração. Massa é um comportamento, isto é uma forma de reagir a certos acontecimentos e reage a ele de forma padronizada e repetitiva, mas o que se opõe a massa não é a elite, mas outro tipo de comportamento.

O que é muito importante dentro das massas é o momento da descarga. Sem a existência da descarga, não existiria a massa, pois é a descarga que “efetiva” a existência da massa. É a descarga que une os indivíduos, transformando-os em massa, é quando o individuo deixa de lado a vida pessoal e passa a viver e pensar no coletivo, é o que os une em um núcleo que conserva a massa a qual eles fazem parte. Mas não é necessário apenas uma descarga para sustentar a existência de uma massa, é preciso constantes descargas para a manutenção do ideal da massa.

(…) A massa no sentido moderno se origina de um sentido antigo chamado “Malta”, que era formada por um grupo pequeno, aproximadamente de 10 homens. A malta não pode crescer, não pode envolver mais do que a quantidade exata de 10 membros. Por sua vez, a turba é um povo em desordem social, em desorganização. Pode-se assim dizer que a turba é o contrário da malta.

(…) A massa se origina da necessidade do social, do fazer social. É a massa que retira do indivíduo o temor do contato. É na massa que o indivíduo deixa de ser indivíduo para se tornar parte da massa. Aos que pertencem a massa, eles são um só, um corpo que pensa. Na junção de todos os indivíduos numa massa, na busca pela unificação num só corpo, idealizam a massa em que todos são iguais, sem adiversidade, nem mesmo sexuais.

Canetti, Elias, 1905 – Massa e poder / Elias Canetti: Tradução Sérgio Tellaroli. – São Paulo: Companhia das Letras, 1995. P. 13-81.

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