Aproprie se quem puder!

andradas01_pbFaz uns tres anos que entrei no Instagram. Dos desenhos feitos no celular à alucinação imagética foi um tirinho de espingarda. Mas não achava que seria minha praia. Estou nas redes desde que a Internet era moleque. Um jogo bem jogado. Fui blogueiro de tantas histórias. Tantas filosofias que me levaram na fluência do ritmo. Um ritmo que modificou o mundo que vivemos. Do infinito ao além. Um jargão que significa que todas as possibilidades estão abertas para aqueles que querem deixar a mesmice de lado para alcançar o protagonismo.

O Instagram é sobre imagens. Um blog que expõe o olhar do cotidiano. Por do sol se confunde com flores, com paisagens. Gatos e selfies se apresentam como a mais nova moda do verão, E todo esse arsenal de recursos fazem do amadorismo um caminhão de possibilidades. Qualquer pessoa pode fotografar. Onde os amadores amam aquilo que fazem. E, repercutem nas redes as benesses do dia a dia da tecnologia. É como se na contemporaneidade o mais importante é ser visto. Assim como existir.

Não importa muito se você é um fotografo profissional. Tudo se tornou diferente. O equipamento barateou, as luzes estão mais inteligentes e o principal mercado coexiste com 72 dpi. Que adianta produzir a mais alta qualidade quando o mercado mudou de idioma. Agora conversa a língua das redes sociais. O mp3 está para o jpg assim como a revolução digital está para a industria da música. O fim dos negócios como conhecemos.

Essa frase foi repetida inúmeras vezes como um mantra do início dos anos 2000. O mundo está sendo transformado pela entrada da tecnologia social no cotidiando das pessoas. Colaboração e generosidade se transformam nas moedas de trocas, ou seja a remuneração está sendo gradualmente substituida pela reputação.

Na fotografia não será diferente. Pelo lado da produção, a tecnologia vem descontruindo a técnica. Na fotografia analógica o mais importante era a técnica. As lentes, o filme, o controle de luz e velocidade davam os tons e as sombras e, principalmente, a organização dos trabalhos de pré produção. A técnica era o abismo entre amadores e profissionais.

Nos tempos do digital a tecnologia substitue a técnica. A tecnologia é feita pra dummies. Não precisa entender todos os meandros. O automático garante uns 70% da qualidade. O processo de finalização é canalizado para a pós produção. O photoshop veio pra ficar. E, de certa forma, amplia e facilta o olhar do fotografo.

Esta desconstrução da técnica é um detalhe. Um detalhe que aumenta vertiginosamente a quantidade de fotografos e artistas.

Na medida que as pessoas se apropriam das redes sociais, o espaço midiático que amplia as possibilidades de subjetivação e exposição imaterial, os amadores experimentam o diferente.

A fotografia contempôranea vai ter que aprender a lidar com esse novo contexto. Usar o Instagram não é mais uma escolha. É uma condição. E se constitui na presença das pessoas que estão fotografando o mundo afora. Hoje se produz mais fotografia do que se consome. Uma galeria de subjetividades que se constroí a cada segundo numa rede de amizades sociais.

E não adianta achar que a fotografia voltará para o romantismo do analógico. É uma via sem volta. O digital veio pra transformar. Salve-se quem quiser, Aproprie se quem puder!

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