Transformação social

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Em 2001, quando escrevi o marketing hacker, a minha crença utópica levou-me a pensar que seria um caminho lógico para a sociedade tecnológica a transformação via generosidade. Fazia sentido imaginar que, com a vida em redes, as pessoas se preocupariam umas com as outras. Num click de um mouse toda a vizinhança blogueira estaria pronta para enfrentar a revolução digital. Isto aconteceu em parte. Embora, a generosidade como moeda de troca não emergiu como uma característica intrínseca das redes.

Foi então que fui buscar na filosofia algumas respostas. Foi quando conheci David Hume e o conceito de simpatia parcial. Ele diz que nossa generosidade é limitada por natureza. O que nos é natural é uma generosidade limitada. A essência do interesse particular não é o egoísmo, mas a parcialidade. Dessa forma, apaziguei alguns entraves teóricos e emocionais reconhecendo que cada um é cada um e que a generosidade depende das relações.

A questão sobre generosidade e da relação do homem na sociedade foi-me respondida por um livrinho  chamado TAZ ou zona autônoma temporária, de Hakim Bey. Na verdade, a ideia da zona autônoma temporária nos faz deixar a impermanência agir e perceber que a parcialidade levantada por David Hume funciona por um período, longo ou curto, em que o comum seja mais importante que as diferenças. O efeito da multidão acontece numa emergẽncia de sentidos e se desfaz quando os sentidos não sejam tão importantes e resulta no relaxamento das relações.

Penso também que a multidão só existe quando esta em ebulição. E, quando se torna o status quo deixa de ser contradição e se mescla com o velho sistema. É quando os hackers são hackeados pelo capitalismo dominador. Ou, que as ações criativas se fundem com os problemas do cotidiano e deixam para trás seus valores revolucionários para discutir quem vai colocar o lixo pra fora ou quem vai lavar o banheiro. Daí enxergamos nossos parceiros como pessoas egoístas, como bifurcadores de projetos, e muitas vezes como seres desprezíveis. Quando se acredita em transformação social como um movimento “em evolução” e unicamente humana, se perde as singularidades da relação. E, então pensamos: será que é possível uma transformação social? Sinceramente, eu acredito que sim. Pois o sistema se desfalece, apesar do ser humano.

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