Massa e Poder

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A Massa é formada por indivíduos sociais, o importante na massa não é sua quantidade, mas sim se os indivíduos estão envolvidos socialmente uns com os outros. Por esse motivo, há grandes e pequenas massas.

(…) No âmbito das massas, elas existem tanto abertas quanto fechadas. Abertas, pois querem sempre mais adeptos e o quanto de pessoas conseguirem inserir no seu grupo. Podem crescer ilimitadamente, pois não existe fronteira para deter seu crescimento. É chamada também de massa natural, ela só se constitui como massa por sua eterna forma de crescimento, aderindo a adeptos. Ela começa a se desintegrar quando esse processo para de existir, o crescimento.

A massa fechada, por sua vez, preza pela durabilidade. Ela é fixa, e por isso é determinado um lugar para que ela exista. O acesso a essa massa é limitado, pois o espaço é limitado, existe uma fronteira, e essa fronteira impede um crescimento desproporcional com o ideal da massa fechada, o que dificulta a sua desintegração. Massa é um comportamento, isto é uma forma de reagir a certos acontecimentos e reage a ele de forma padronizada e repetitiva, mas o que se opõe a massa não é a elite, mas outro tipo de comportamento.

O que é muito importante dentro das massas é o momento da descarga. Sem a existência da descarga, não existiria a massa, pois é a descarga que “efetiva” a existência da massa. É a descarga que une os indivíduos, transformando-os em massa, é quando o individuo deixa de lado a vida pessoal e passa a viver e pensar no coletivo, é o que os une em um núcleo que conserva a massa a qual eles fazem parte. Mas não é necessário apenas uma descarga para sustentar a existência de uma massa, é preciso constantes descargas para a manutenção do ideal da massa.

(…) A massa no sentido moderno se origina de um sentido antigo chamado “Malta”, que era formada por um grupo pequeno, aproximadamente de 10 homens. A malta não pode crescer, não pode envolver mais do que a quantidade exata de 10 membros. Por sua vez, a turba é um povo em desordem social, em desorganização. Pode-se assim dizer que a turba é o contrário da malta.

(…) A massa se origina da necessidade do social, do fazer social. É a massa que retira do indivíduo o temor do contato. É na massa que o indivíduo deixa de ser indivíduo para se tornar parte da massa. Aos que pertencem a massa, eles são um só, um corpo que pensa. Na junção de todos os indivíduos numa massa, na busca pela unificação num só corpo, idealizam a massa em que todos são iguais, sem adiversidade, nem mesmo sexuais.

Canetti, Elias, 1905 – Massa e poder / Elias Canetti: Tradução Sérgio Tellaroli. – São Paulo: Companhia das Letras, 1995. P. 13-81.

Filtros, para que tê-los?

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Talvez o que tenha mais me empolgado nesses últimos anos foi o fato de ter no meu celular a capacidade de distribuir imagens. Faço testes de todas as formas. Fotografias, metapixel, googleart, já usei tantos e tantos filtros. Mas, sinceramente, acho que para todos os filtros o caminho é o mesmo de Roma.

Deixe-me explicar: experimentar é onde podemos exercer a prática da inovação e da criação. Experimentar é tirar o resultado final do processo. E , assumir que o processo em si é o passo fundamental para estabelecer paradoxos da mesmice do cotidiano.

Mas experimentar não é só transformar o real. E, partir para o abraço quando se mostra um resultado chamuscado pelos filtros. Pelo contrário, a tranformação é diferente para cada um de nós. A utilização descarada de filtros, de misturas provocadas pelo blender, hipstamatic e outros programas resultam em imagens sempre muito parecidas. Uma sombra apropriada, highlights seguros, um vignette ok e, de vez em quando, um blur para tirar o foco.  Poucos conseguem tirar proveito dos filtros ao seu bel-prazer.

Dá pra fazer melhor que isso. Os programinhas de celulares são bonzinhos. E, fornecem toda a gama de controles para deixar sua imagem do jeito que voce quiser. Controles de brilho e contraste, de sombras e highlights, saturação e todos os truques para deixar tua foto mais personalizada. É só saber fuçar para entender que filtros não são tão necessários. Filtros, para que tê-los?

Peer to Peer

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A partir do conceito da apropriação entendemos que as redes não são aprendidas, são apropriadas por comuns. Sejam interesses ou apenas a vontade de colaborar.

Nesse processo de apropriação da tecnologia o que me importa como pesquisador é a emergência de conversas. Uma forma de comunicação de baixo pra cima capaz de se organizar em redes sociais, no sentido mais amplo possivel. Uma conversa que se dá na participação, no compartilhamento e na disponibilização de links, ideias, projetos, poesias, textos, vídeos e onde mais a criatividade humana consegue relacionar.

Essa conversa não é muito visível. Pois está sempre misturada com dicas, links e toda gama de conteúdo que faz a web se mexer no dia-a-dia. Mas ganha uma velocidade através das ferramentas de redes sociais (no sentido mais restrito possivel). Twitter, facebook, blogs distribuem essas conversas . O espectador é o amigo do amigo. Ou, aquele que recebe a informação pelas palavras do amigo. A propagação se faz pelo link.

Pode esquecer o email. É coisa de velho. E-mail marketing e Spam são  do século passado. Jovens e adolescentes não usam mais email para se comunicar. Isso é fato. Nem FB ou twitter. A conversa agora acontece em grupo de amigos. The Wapp rules!

A festa acontece no P2P. É a napsterização da indústria cultural.

Low-tech

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A produção mundial de equipamentos eletroeletrônicos cresce a cada ano. A indústria trabalha com a ideia de obslescência programada, o que significa que ela sempre está oferecendo um produto novo no mercado. Mais potente, mais rápido e com características que deixam o teu equipamento totalmente fora de moda.

Para piorar, a indústria de software, para acompanhar os  amigos do hardware, provocam uma nova ordem de aplicativos, que consomem mais memória, mais processamento e sempre mais dinheiro dos usuários. Como podemos perceber, estamos fritos!!!

Uma das ideias para enfrentar essa bizarra situação seria provocar o consumo de tecnologia low-tech. Ou seja, enfrentar a obsolescência com equipamentos mais velhos e menos potentes tratando de desenvolver softwares livres para que a experiência de uso seja muito parecida com as high-tech promovidas pelas corporações. O google nos seus primeiros suspiros produziu uma tecnologia de cluster com 100 mil computadores velhos. Essa tecnologia capenga fez o sonho se transformar no google. E, nesse contexto é que a técnica da gambiarra faz todo o sentido. Enfrentar a crise com ideias que desviam o curso da tecnologia padrão.

Esse tipo de solução tem ajudado as comunidades de hackers a se desvincular da indústria para desenvolver projetos arrojados. Drones, arduinos, impressoras 3D, corte a laser e outras coisinhas a mais tem dado um novo impulso ao movimento maker. Pessoas estão fazendo a diferença e procurando uma nova maneira de produzir com a tecnologia que se tem disponível.

 

 

Cultura de rede

 

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A conversação na Internet é bem diferente daquela que se realiza ao vivo, olho no olho. Atualmente, por exemplo, bilhares de pessoas estão utilizando as redes como ferramenta de conversação e de informação descentralizada. Uma das conseqüências mais imediatas dessa conversação recai sobre a cultura de massa.

Por que assistir TV? Ler jornal? Podemos navegar pelo youtube. Assistir aos videos  que os amigos indicam. Posso ler os blogs para me atualizar. Para que esperar a velha imprensa fazer suas análises sobre a situação do planeta? No Facebook temos um filtro que nossos amigos generosamente linkam. São tantas as alternativas para saber o que está acontecendo no mundo que a imprensa tradicional perde, aos poucos, força e lugar enquanto “formadora de opinião”.

A cultura de rede se faz no compartilhamento, na concordância entre pessoas, na gentileza de um hiperlink. Extrapolam os conceitos, pensamentos, missões, campanhas e disputas. As redes não são boas ou ruins. As pessoas que nelas habitam é que vão dar o toque especial. O efeito das redes pode ser excepcional. Mas esta possibilidade indica apenas vestígios de que a potência transformadora das redes é inexorável. E deixa a vida me levar (vida leva eu)…

Aproprie se quem puder!

andradas01_pbFaz uns tres anos que entrei no Instagram. Dos desenhos feitos no celular à alucinação imagética foi um tirinho de espingarda. Mas não achava que seria minha praia. Estou nas redes desde que a Internet era moleque. Um jogo bem jogado. Fui blogueiro de tantas histórias. Tantas filosofias que me levaram na fluência do ritmo. Um ritmo que modificou o mundo que vivemos. Do infinito ao além. Um jargão que significa que todas as possibilidades estão abertas para aqueles que querem deixar a mesmice de lado para alcançar o protagonismo.

O Instagram é sobre imagens. Um blog que expõe o olhar do cotidiano. Por do sol se confunde com flores, com paisagens. Gatos e selfies se apresentam como a mais nova moda do verão, E todo esse arsenal de recursos fazem do amadorismo um caminhão de possibilidades. Qualquer pessoa pode fotografar. Onde os amadores amam aquilo que fazem. E, repercutem nas redes as benesses do dia a dia da tecnologia. É como se na contemporaneidade o mais importante é ser visto. Assim como existir.

Não importa muito se você é um fotografo profissional. Tudo se tornou diferente. O equipamento barateou, as luzes estão mais inteligentes e o principal mercado coexiste com 72 dpi. Que adianta produzir a mais alta qualidade quando o mercado mudou de idioma. Agora conversa a língua das redes sociais. O mp3 está para o jpg assim como a revolução digital está para a industria da música. O fim dos negócios como conhecemos.

Essa frase foi repetida inúmeras vezes como um mantra do início dos anos 2000. O mundo está sendo transformado pela entrada da tecnologia social no cotidiando das pessoas. Colaboração e generosidade se transformam nas moedas de trocas, ou seja a remuneração está sendo gradualmente substituida pela reputação.

Na fotografia não será diferente. Pelo lado da produção, a tecnologia vem descontruindo a técnica. Na fotografia analógica o mais importante era a técnica. As lentes, o filme, o controle de luz e velocidade davam os tons e as sombras e, principalmente, a organização dos trabalhos de pré produção. A técnica era o abismo entre amadores e profissionais.

Nos tempos do digital a tecnologia substitue a técnica. A tecnologia é feita pra dummies. Não precisa entender todos os meandros. O automático garante uns 70% da qualidade. O processo de finalização é canalizado para a pós produção. O photoshop veio pra ficar. E, de certa forma, amplia e facilta o olhar do fotografo.

Esta desconstrução da técnica é um detalhe. Um detalhe que aumenta vertiginosamente a quantidade de fotografos e artistas.

Na medida que as pessoas se apropriam das redes sociais, o espaço midiático que amplia as possibilidades de subjetivação e exposição imaterial, os amadores experimentam o diferente.

A fotografia contempôranea vai ter que aprender a lidar com esse novo contexto. Usar o Instagram não é mais uma escolha. É uma condição. E se constitui na presença das pessoas que estão fotografando o mundo afora. Hoje se produz mais fotografia do que se consome. Uma galeria de subjetividades que se constroí a cada segundo numa rede de amizades sociais.

E não adianta achar que a fotografia voltará para o romantismo do analógico. É uma via sem volta. O digital veio pra transformar. Salve-se quem quiser, Aproprie se quem puder!

Como vai a educação?

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Tenho visto muita balela rodar pela web a respeito de educação. Muitas tentativas de mudar um sistema que insiste em permanecer como está estabelecido. Iniciativas de design thinking para educadores que na verdade só mostram que a intenção difere diametricamente do gesto. As ideias existem mas é difícil implementar. Paulo Freire é amado nas secretarias de educação e Deleuze é repetido pelas doninhas que fazem parte do ativo fixo das fundações para educação. Mas a ordem do discurso é sempre a velha ladainha.

Ontem vi uma chamada para uma escola do Mato Grosso do Sul que vai implementar a estratégia da Escola da Ponte. Sem salas de aulas e provas, ou seja uma pedagogia voltada para a atualidade, onde se tratam alunos pelas suas diferenças e multiplicidades. Cada um deve aprender o que realmente lhe interessa. Não seguir como regra um curriculum do MEC, que é anacrônico como o próprio sistema que ele representa. Mas o sucesso da iniciativa só vai existir se alguém bancar essa mudança. A proposta é muito frágil, pois a ideia não é repercutir apenas boas práticas e, sim, dar vazão a emergência de novas práticas educacionais que atendam o interesse dos alunos para depois atender aos interesses da educação. A pedagogia deve nascer na prática do cotidiano para chegar as escolas. Uma inversão total dos valores do sistema.

Creio (acredito mesmo) que o aprendizado vem com a apropriação. Não se aprende matemática, inglês ou qualquer outra matéria se não formos estimulados a se valer desse aprendizado para fazer algo que faça sentido para nós. E, esse sentido é muito diferente entre as pessoas. Cada um tem um interesse muito diferente. Por isso, entendemos o ser humano como múlltiplo. Tanto na expressão como na cognição.

Tudo seria mais fácil se ao invés de sentarmos numa sala de aula ou num laboratório tradicional, o aprendizado fosse focado nos projetos de cada um. E debatidos, conversados e ressignificados num grupo colaborativo e atuante. Talvez muitas pessoas acham que não tem projetos. Mas quando experimentam tornam-se aquilo que negam. E, começam a produzir subjetividades que estavam ocupando as áreas vazias das mentes. Para isso é só observar como pessoas comuns começam a produzir em rede e expõe uma quantidade de conhecimentos que antes estavam escondidos. Esse é o grande legado do mundo conectado. Graças a web, ‘as pessoas’ estão se tornando mais informadas, mais inteligentes, e demandando qualidades perdidas na maioria das organizações.

O sapo pula por precisão

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O ‘sapo não pula por boniteza. Pula por precisão’*. Sapo não pula para se mostrar. Pular é inerente ao sapo. Pula para a sua sobrevivência.

Assim como a nossa civilização destroi mundos por necessidade. Entendo que da maneira que estamos tocando as nossas vidas teremos mais uns cinquenta anos para decretarmos o estado de falência total. Meus netos estarão cobertos de uma nuvem de gás carbono. Impossível viver assim.

Não dá para esperarmos o tempo passar. Algo tem que ser feito aqui e agora.

As mudanças estão acontecendo. As tecnologias de informação e comunicação têm transformado o mundo de maneira profunda, não só no sentido de possibilitar um nível crescente de troca de informação mas também afetando as bases da sociabilidade, do sentido de comunidade e das diferentes formas de aprendizado.

A Internet pressupõe participação. As novas mídias sociais só funcionam porque as pessoas tem a necessidade de fazer circular a informação. Essa informação são conversas, são links, são blogs, twitters; São textos, imagens, sons que se espalham, se redificam.

São redes que permitam que as pessoas compartilhem informação, de forma dinâmica, processos de ensino-aprendizagem pontuais e auto-geridos, que em escala assumem uma natureza abrangente.

A lógica da aprendizagem distribuída é o efeito prático do modelo de trabalho imaterial. Assim, a estratégia de aprendizado distribuído estimula as pessoas a criarem rastros de aprendizado a partir de sua navegação cotidiana pela web, e possibilita que esses rastros possam ser agregados em outros ambientes a partir da adoção de microformatos.

Esses rastros se misturam na rede. Emergem nas comunidades. Falar é barato. O silêncio é fatal. Na internet, a participação é protagonista. Cada um é responsável pela sua ação em rede. Aquele que não publica não existe.

Creio que a Internet já nos mostrou que muitas das instituições estão com os dias contados. Organizações caóticas são responsáveis pelo download ilegal de música. Organizações que contam com pessoas não muito diferentes de mim ou de você. Não foi necessário colocar um curso online de como baixar música. O espaços informacionais estão sendo ocupados sem batalhas. Uma sociedade que começa a se constituir protagonista, fruto da essência hacker que se estabeleceu como o bom senso digital, implica na ativação de redes baseadas naquilo que cada pessoa compartilha, criando grupos emergentes de aprendizado e compartilhamento de referências. As pessoas aprendem em rede. E, ensinam quando seus pares validam o conhecimento.

No ensino, ao contrário do que sempre ocorreu, o professor terá de partir da experiência prática para o pedagógico. Isso significa que a escola começa se alimentar da inteligência coletiva que emerge da rede. Uma revolução não-televisionada, que rompe os muros da educação.

*Guimaraẽs Rosa em Sagarana

Efeito colaboração

colaboraO impacto da revolução digital não é absorvido pela sociedade da forma que esta revolução se constrói. Não é uma ruptura do capitalismo por um outro modelo. A ruptura está em hackear o capitalismo. Usar e abusar das suas contradições. Acho importante se atentar para essa diferença. Estou me referindo a um processo de cima para baixo. E para os lados. Revoluciona pela linguagem, pela ocupação dos espaços, pela oferta de recursos. Compartilhar interesses faz com que as pessoas se aproximem.

Colaborar é criar para a sociedade; O processo de criação, combinado ao desenvolvimento tecnológico e mais especificamente com a internet, tem se apresentado como uma forma de expressão humana. Este modo de produção, que me refiro, é o entorno econômico para produção de riqueza. E, neste sentido, o colaborativismo vem substituir (mesmo que seja numa parcela da economia) o paradigma da produção

Colaboração é um processo emergente. De baixo para cima. Encontramos a colaboração as margens de qualquer modo de produção. Colaborar e cooperar são palavras distintas. Colaboração é a palavra de ordem da nova economia. Não é apenas uma partilha ou uma cooperação. Colaboração vai além. Significa engajamento das pessoas aos projetos. Sem controle específico. Um processo de criação onde pessoas conversam com pessoas.

No mundo presencial as pessoas são separadas pela distância. Por causa da vastidão da terra diferentes culturas se desenvolveram. Pessoas vivem em países separados, divididos por fronteiras e, as vezes, por muros com soldados e armas. Na Web as pessoas caminham juntas – se conectam – pois estão interessadas nas mesmas coisas. Eles se movem para um comum. E, se preocupam juntas.

Essa é a nova mídia. Pessoas conversando com pessoas. Afinal, os mercados são conversações. E nesse caos coletivo surgem grandes projetos. E todo o conhecimento que está sendo catalisado pela rede é fruto da conversação de um monte de pessoas.

Época de mudanças

pinguinsEstamos vivendo numa época de mudanças. De transformações. Colaboração passou a ser entendida como um modo de produção. Muito diferente de outros modelos pois leva em conta apenas a vontade das pessoas em participar voluntariamente de projetos relevantes.

O efeito da colaboração rompe paradigmas. Falo de experiências como a do software livre que proporcionaram uma forma de colaboração onde a liberdade é a regra.

Principalmente, a liberdade de compartilhar qualquer produção na rede. A experiência de fazer potencializa a curiosidade de querer pesquisar, trocar, compartilhar, ensinar e aprender. O linux foi criado só por prazer.

Estamos na era do conhecimento. Uma sociedade baseada no fluxo das informações, não mais na quantidade de bens produzidos. Nesse cenário um novo sistema floresce. Fundamentado na utilização da tecnologia. Os hackers estão moldando um novo contrato com a sociedade.

O meu interesse como Marketing Hacker foi entender e discutir as mudanças que a Internet esta introduzindo no mundo dos negócios. Há um descompasso entre as práticas apoiadas em conceitos da comunicação de massa e as propostas comunicativas com as novas linguagens, práticas e possibilidades advindas do uso dos novos meios digitais. Esse gap persiste. As instituições não perceberam que não dão mais as cartas. As estratégias top-down estão sendo substituídas, cada vez com mais rapidez, pela complexidade do bottom-up.

O processo das organizações experimenta a emergência. Sob a influência da ética hacker e da cultura de escovar bits. A penetração do movimento opensource na área do conhecimento. Uma maior interação entre e inter comunidades de interesse. Aproveitando o fluxo de idéias para incentivar a criatividade e ordenar o caos em redes de inteligências coletivas. Mas para isso acontecer a comunidade tem que participar e promover o seu próprio desenvolvimento. As pessoas podem se engajar em projetos de sua comunidade.

Entretanto, há um descompasso entre o processo de colaboração e da remuneração. As pessoas querem trabalhar com prazer. Mas precisam de comida, casa e roupa lavada. E, ainda não deslumbramos uma situação que não confunda colaboração com trabalho quase escravo. Essa dicotomia tem pipocado na rede como um fenômeno viral. É momento de ampliar possibilidades. De mirar na colaboração como capital social. Colaboração para fazer qualquer coisa que o desejo provoque. Colaboração como condição de sobrevivência.

A experiência do crowdfunding, do apoio a projetos está mais para o mecenato dos tempos áureos de Florença do que para os patrocínios com objetivos comerciais. É livre e independente. Desta forma, o apoio a projetos daria continuidade à mais pura expressão da voz e, ao mesmo tempo, dá oportunidade às pessoas e às empresas de participar destes micromercados de forma efetiva. Consumidores deixaram de ser apenas potenciais compradores dos produtos fabricados. Cada vez mais, participam da produção em rede. Assumem um papel ativo no processo. O poder dos mercados está migrando das empresas para as mãos das pessoas comuns. O mundo dos negócios está em mutação. E precisamos rever os conceitos. Vamos chegar lá!