por que ser criativo?

janelafaz algum tempo cheguei numa conclusão básica para minha vida. ser criativo não é uma escolha. é uma necessidade. o mundo se transformou nesses ultimos 30 anos. já vimos o fim do comunismo e experimentamos a derrocada do capitalismo. a era industrial não mais consegue iludir a humanidade com a cultura do consumo.

a entrada da internet provocou transformações, muitas delas são tão importantes que se tornaram quase que imprescindíveis para nós. no entanto, creio que o resultado dessas transformações promove o escalamento das relações. uma multidão emerge como uma contradição do próprio capitalismo e chega para enfrentar e destruir suas bases. a multidão inteligente e conectada se articula em torno de interesses comuns.

em primeiro lugar, ela nos traz a ideia de impermanência. os movimentos acontecem para serem impludidos e reconstruídos sob uma nova direção, ou não. e, assim caminha a humanidade. não temos mais líderes. somos uma sociedade cada vez mais gasosa. extrapolo aqui os conceitos do baumann, de uma sociedade liquida. no entanto, o liquido pressupõe uma acomodação, uma represa que retém o crescimento. uma sociedade gasosa não precisa de um receptáculo, a interface se torna a relação de todos com todos e se expande.

vivemos então num mundo onde as relações entre as pessoas catapultam novas formas de aprender e ensinar. ou seja, as relações cada vez mais enredadas, a exposição e a documentação das nossas ideias e a capacidade de processamento que a tecnologia proporciona traz novas possibilidades para os criativos. cada vez mais precisamos menos das instituições formais para estar antenado com o que acontece no mundo. qualquer um pode construir o que quiser simplesmente acessando o conteúdo disponibilizado e distribuído em rede. posso desenvolver um drone caseiro, uma bicicleta que produz energia, uma CNC de corte à laser ou uma impressora 3d. é só visitar alguns tutoriais e sair numa expedição pela santa ifigênia que teu sonho se tornará realidade. qualquer um, também, pode construir uma bomba ou orquestrar um ato terrorista. pois, a realidade é de cada um, múltipla e, de certa forma, não faz julgamentos. atua tanto para o bem, como para o mal.

o que importa é que as pessoas estão fazendo. produzindo subjetividades que foram tolidas pela revolução industrial. as grandes inovações não passam pelos grandes investimentos. pelo contrário, a inovação acontece pela criatvidade que desponta nas ações de gambiarra. criar com as ferramentas que se tem à mão. podemos dizer que as grandes inovações desde a segunda metade do século 20 aconteceram a partir de uma ideia desenvolvida numa garagem qualquer. a apple é resultado do início do movimento maker. muitas outras empresas começaram a partir de um processo criativo. e, uma vontade muito grande de resolver problemas e enfrentar os desafios da atualidade.

o movimento maker, que engloba fazedores de todos os gostos desde os nerds e suas engenhocas como ativistas das redes, evangelistas da cultura digital, artistas, designers e muitos outros criativos, é uma resposta de uma sociedade que não tem condições de garantir um emprego formal. tivemos que aprender a nos virar para transformar ideias em realidade.

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sobreviventes

agua_africasomos sobreviventes. habitantes de um planeta que cada vez mais experimenta a escassez de recursos. uma sociedade que é silenciada por uma ronda policial que não tem consciência pra espancar seus cidadãos. aliás, o termo cidadania está cada vez mais na vala comum. creio que a palavra da moda é migrante. aquele que sempre em movimento busca uma luz no final do túnel. caminhamos a passos largos para o caos. a esperança é ruim, não serve pra nada.

por enquanto, estamos com sorte. são paulo poderia estabelecer o princípio do fim. ainda bem que a chuva nos tem enganado com mais um pouco de água. os reservatórios chegaram ao marco 0 e todos estamos felizes. mas, a seca persiste. como serão os próximos anos? quanto vai valer um apartamento numa cidade sem água? ou talvez sem luz? sem escolas? e com uma policia descendo porrada em quem se manifesta contra os engravatados, os ilegítimos donos do poder. aqueles que a farsa democrática vestiu de governantes. uns babaquaras que só pensam em defender o seu quinhão. com esses caras pela frente entraremos num buraco cada vez maior.

os cientistas sérios já anunciaram que a coisa tá feia. poucos recursos se juntam com a sequela da era industrial. a camada de ozonio não nos deixa mentir. a civilização do petróleo deve chegar ao fim. mas o que estamos fazendo para isso? será que os desacordos climáticos vão chegar a tempo da gente conseguir segurar o furor do planeta gaia? ou será que os vírus de laboratório vão ser liberados para que mais de 50% da população mundial sejam tranformados em zumbis.

pois, já somos sobreviventes. até 2020, secas e outros extremos climáticos serão lugar-comum. até 2040, o saara vai invadir a europa, e berlim será tão quente quanto bagdá… e o brasil, do jeito que a coisa está por aqui, talvez nem vai mais existir. estaremos submersos na confusão e cantando mais uma vez: El último habitante del planeta… Contó el dinero y se tomó su tiempo… Pensó gastarlo todo en una noche… Para qué lo iba a guardar