O que é o que é?

logologoVou levantar uma questão muito simples: O que é fotografia? Hoje meu amigo Alexandre Urch postou uma frase de Claudio Feijó: Geralmente os fotógrafos perdem uma boa foto por dois “as”: o da ansiedade e o da ambição. A ansiedade o leva a clicar a foto antes da hora e o da ambição de querer fazer algo tão incrível, ele deixa o momento passar…

Uhmmm, será que foto é o momento? ou será toda a armação exaustivamente planejada e insípida do estudio? o trampo no phothoshop? Ou será que cada um faz o que pode.  E com aquilo que pode expressa a fala contida (ou não). Pois, a imagem conversa, amplia os sentidos e afeta.

Fazer fotos, para mim, é apenas a extensão biônica do cérebro. Uma prótese visual que se instala como complemento do  ser-em-existência. Um processo de subjetivação muito além da lógica descartiana. Pensar é se apropriar.

Fotografia é imagem. É palavra, poesia, remix, misturas. São matrizes de 0 e 1, transformações, apropriações do cotidiano… momentos. Contemplação. Tudo editado num programinha qualquer. Que mais?

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Conversas

camerasNa sua natureza, a internet se descolou da lógica da cultura de massa decompondo-se em numerosas intervenções, conversas de pequenos grupos, numa infinidade de espaços comunicacionais, constituindo diversos ambientes de compartilhamento e catalisação do conhecimento. Quando falamos de internet estamos nos referindo às pessoas que nela habitam, que usam Google, e-mail, MSN, Twitter, blogs, Del.icio.us, YouTube, Flickr, Torrents, Facebook e inúmeras outras redes que estão sendo construídas a todo momento. Pessoas que trocam e-mails com amigos, que usam o Skype para conversar. Enfim, são pessoas comuns, frequentadoras de um mundo invisível e formado por redes que se auto-alimentam, se cruzam, se miscigenam. Nesse sentido, podemos perceber hoje as transformações que essa poderosa conversação global começou.

Corpo sem orgãos

pes“Uma máquina que não fosse investida de desejo e alimentada de subjetividade seria um corpo sem vida. Todo corpo tem sua artificialidade e toda máquina tem sua virtualidade. A tecnologia é, portanto, a prótese” [DELEUZE. Conversações, 1998.p.122]. É o corpo sem orgãos, que é como o mecânico supõe uma máquina social. O próprio organismo supõe um corpo sem órgãos definido por suas linhas, seus eixos e seus gradientes. Todo um funcionamento maquínico distinto das funções orgânicas sociais tanto quanto das relações mecânicas.

Nesse contexto, podemos perceber que é a primeira vez na história da humanidade que a realidade do aqui e agora se encontra imersa nas tramas de uma temporalidade maquínica. A tecnologia como fato cultural multitemporal.

O tempo funciona como um filtro, que ora faz passar, ora impede a passagem. É desta forma que as tecnologias remetem ao duplo movimento de aceleração e desaceleração, inovação e tradição, desterritorialização e territorialização. A contemporaneidade se caracteriza cada vez mais pela edição ou a forma como as partes do sistema são montadas ou articuladas. Esta é a cultura do remix.

Tecnologia social

lasmeninasO instagram é um blog de imagens. É uma ferramenta que cumpre bem a função de publicar e distribuir fotos. Nada mais do que isso. O diferente está que além da possibilidade de se postar fotos podemos criar redes singulares de likes e deslikes. Uma rede social que se constitue de pessoas que apoiam os experimentos estéticos de cada um. Gosto de termo apoiar para se referir aos likes pois nem sempre a produção é o máximo. Mas o esforço de produzir um cotidiano mais artístico já tá valendo a pena. Curtir pelo conjunto da obra faz sentido nos tempos que a virtualidade substituem as relações físicas.

Bem, o que tenho a dizer que o diferencial que se aprende com essa tecnologia é a capacidade de se construir uma camada social. Chamamos de tecnologia social os dispositivos que englobam um conjunto de técnicas, metodologias transformadoras, desenvolvidas e/ou aplicadas na interação com as pessoas com o objetivo de apropriação, que representam soluções para inclusão social e melhoria das condições de vida. É importante pensar que tecnologia social deve ser vista como processo mais que uma finalidade. Um movimento que se constitui como parte da consolidação da rede/sociedade. Um movimento em que as pessoas se influenciam constantemente e tomam decisões capazes de afetar uns aos outros especialmente por meio de intervenções comunicativas. O ator em rede está envolvido e participa do tecido social permeado por seres animados e inanimados (computadores, animais, contingências situacionais, pessoas, grupos) onde acontece o uso, a apropriação, a revitalização ou o repotenciamento de conexões. O processo de apropriação da tecnologia, ao adquirir dimensões e implicações políticas de desenvolvimento para a comunidade e para a nação, suprindo algumas necessidades e expectativas (desejos em ritmo de expansão) caracteriza a tecnologia social.

Todos os lugares

11024098_816913741720857_312378293_n Perguntamos então: será que a sociedade não estaria engendrando uma espécie de prisão ainda mais aperfeiçoada do que todas as outras, por intermédio da conexão ao ciberespaço, pela virtualização das relações humanas, pela ubiquidade, ou por qualquer outra tecnologia que nos permite ir a todos os lugares sem sair do lugar? Ou todos os lugares em um só lugar e cada lugar em todos os lugares. Chega(re)mos ao tempo em que não haverá mais campo de tênis, mas um campo virtual; não haverá passeio de bicicleta, mas exercícios em um home-trainer.

Essa ideia que ciberespaço é o fim do espaço, ou que a ubiquidade absoluta anule todo o espaço é uma utopia tecnológica. A relação de mistura e conexão que a rede forma cria um espaço diferente. A reconfiguração do espaço que iguala o físico e o virtual: todos os lugares num só lugar e cada lugar em todos os lugares. Na Internet, a informação é o mundo, se a informação é o mundo e se este mundo está em rede, então temos tanto a possibilidade de estar em todos os lugares.

A desconstrução da técnica

Um dos argumentos filosoficos que tem influenciado meu trabalho, ou minhas gambiarras, está na tese de Heidegger sobre a desconstrução da metafísica padrão.

A crítica de Heidegger abarca uma moderna visão de mundo na qual a concepção de sociedade nasce no indivíduo e não do grupo social. Ao considerarmos a Web como um espaço que nasce a partir da conversação e da troca entre pessoas que compartilham interesses, observa-se que ela é espaço da pluralidade social, construído, desde o início, a partir da relação, da generosidade e da atividade voluntária entre os seres humanos. Designamos kairós (καιρός), como a concepção do tempo que se refere ao momento apropriado ou à oportunidade para que algo ainda não real, mas existindo como potência, se efetue ou aconteça.

Segundo Weinberger “O hyperlink rompe a barreira do tempo, do espaço, do idioma e do bom senso. Uma transformação mais filosófica que tecnológica”. A Web é um mundo compartilhado, que estamos construindo juntos. Weinberger apresenta um mundo não-sequencial e repleto de pedaços de informações e construções cujas narrativas nos dão o contexto da informação, independente de um centro disseminador. Esse processo de construção seria caracterizado por uma ruptura dos contêineres do tempo e do espaço. Nesse sentido, a Internet pode ser entendida como um novo lugar. Um ambiente diferente. Internet não é apenas uma nova mídia, um canal de comunicação, mas um novo lugar propício para as conversações e, como conseqüência, para uma sociedade colaborativa. O tempo (ou não tempo) da Internet é kairós.

Estamos fundidos ;-)

louvre2Quando eu comecei a pensar nas redes como um meio lógico para o desenvolvimento da civilização acreditava, utopicamente, que a generosidade poderia mover mundos. Colaboração, subversão das hierarquias, reputação seriam os dispositivos para a transformação radical da sociedade.

Estava parcialmente equivocado. Sim, a revolução digital transformou o nosso mundinho. Tudo ficou mais rápido. Mais efêmero e mais fake.

O otimismo de outrora se tornou o plano B. Continuo otimista, mas não acredito mais que o homem vai conseguir desvendar o mistério da existência. Vivemos porque o tempo passa. E a morte não é solução. É apenas uma janela de oportunidade para quiça encontrar a força salvadora.

Por isso fiquei em silêncio. Um silêncio de palavras. Não tive mais vontade de colocar a boca no trombone virtual. Um grito que não fazia sentido repercutir nas minhas redes. Ficar calado é sempre a melhor resposta para não enfrentar a realidade.

Mas calado não fiquei. Apenas transformei o texto em imagens. E com as imagens foi possível manter uma conversação mais sútil e delicada. As imagens falam por si aquilo que o outro pode ouvir. Muitas vezes fere. Não pelo veneno da língua. A imagem te joga no real sem bater à porta.

Não vivemos mais os tempos dos grandes discursos. É muita informação para perder tempo com palavras jogadas numa timeline. Será que tecnologia está nos emburrecendo?. A informação diária dos meios de comunicação se adaptam aos novos tempos. Ou melhor, os discursos, antes articulados, agora passam a ser distribuídos em 140 caractéres. O jornal se tornou mobile. A informação cada vez mais imagética. Acho que não fui eu só que cansei… estamos fundidos 😉

hd ocupa

parishd ocupa é um projeto que pode ser acompanhado no instagram em @hd_ocupa ou resumidamente no facebook

A ideia está em ocupar digitalmente os espaços informacionais. hd_ocupa é uma variante das outras ocupações nos google earth, maps e streetview. Mas tem como objetivo espalhar meus desenhos realizados no celular, num app chamado sketch easy e coloca-los em lugares inusitados mundo afora. Uma pichação legitimada pelos compartilhamentos e likes.

Esta imagem é de Paris. Ao fundo temos o Centre Pompidou, um centro de cultura, arte e labs. Escolhi essa foto pra começar o projeto, pois quando procurava pelo Pompidou, encontrei um espaço único para colocar minha marca.

Jesus Cristo SuperStar

cristo rj
Fiz essa foto no google street view. Bem, eu sei que pra maioria das pessoas a impressão que fica é uma total preguiça. Uma apropriação imprópria de uma tela que não te pertence. Mas na real não é bem assim.
O Cristo estava lá no Street View. Esperando de braços abertos por um clique que podia vir por diversos angulos. Num ambiente virtualmente moldado em 3 D qualquer mudança no foco faz que todo o ambiente virtual se altere. De certa forma emula as variações dos nossos olhos. Aquilo que vemos depende apenas do nosso ponto de vista. Não me foi dado pelo Google. Nem pelos fotografos que sacam suas fotos no atacado. O street view é uma lente que tudo abarca e nada vê.