Uma experiência incrível

Acabei de fechar uma passagem para Proxima b. Pra quem tá ligado na ufologia, na vida extraterrestre, nas descobertas de novos mundos, vou simplesmente dizer um até logo. A viagem é atemporal. Uma dimensão de tempo-espaço desconhecida para nós humanos. Mas tão duca que amanhã devo estar de volta. Um piscar de olhos nos traz experiências incríveis. Não vejo a hora de partir.

Um novo mundo me espera. Amigos ETs com conhecimento dos maiores enigmas da física quântica. Da química sub-atômica, das computações quânticas. Até agendei um pequeno cursinho de fusão de energia limpa para trazer pra minha ecovila, uma comunidade pré-apocalíptica que tem como objetivo trazer aos coleguinhas uma nova versão de civilização.

Em Proxima b não queremos mais o sistema. Nada de consumo abusivo. O marketing não existe mais. Nem a propriedade. Tudo é transacionado por um escambo mental: o que você sabe fazer tem um valor muito igual do que eu sei. Logo, pra que dinheiro? Troca-se conhecimento apenas. E sempre em prol da civilização e dos ets vindouros. A pegada é sempre geracional, no sentido que tudo que se faz para o planeta é absorvido e melhorado pelas novas gerações. É um mundo tipo software livre. É o máximo poder aprender num planeta assim. Mas será que todos esses conhecimento poderão ser replicados aqui na terra?

Já tentei fazer algumas reuniões com os políticos, sabe, aqueles caras que não sabem nada além de fingir que sabem de tudo. Mas não tive muito sucesso. Um deles tá preocupado em se manter no poder para não cair na desgraça numa sociedade prisional. Outro, preocupado com as eleições de 2018, faz maquiagem numa cidade colossal, transformando-a em cinza de uma igreja pentacostal. A maioria, mesmo, tá preocupada em se manter perto do gargalo da corrupção ilimitada. Sei lá, creio que algo não deu certo.

Então, vou me embora. Volto logo para tentar mudar esse nosso mundo. Espero que me desejem sorte nessa jornada para onde nenhum homem jamais esteve.

bjs
HD Dimantas

 

foto da turma

As várias nuances das migrações

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Estava passeando pelo FB e me atentou um link que mostrava 20 cidades que haviam sido abandonadas. Entre elas Bento Gonçalves, MG, devastada pela lama tóxica. Dallol, na Etiópia, virou cidade-fantasma por conta dos altos níveis de calor. Chaitén, no Chile, foi soterrada pelas cinzas de um vulcão. As fantásticas Ilhas Marshall, país-arquipélago na Oceania, estão desaparecendo por conta do aquecimento global. Muitas outras cidades e países estão perecendo pela ação devastadora das mudanças climáticas ou, simplesmente, pela ação do homem. Acidentes como Chernobyl, contaminação por chumbo, zinco e mercúrio são sequelas da era industrial e do consumo.

Vamos aos fatos. Essa erupção de desastres mostram consequências cada vez maiores para a população mundial. Para onde vão as pessoas que são obrigadas a deixar suas casas, sobreviventes do cataclisma global? Desocupação, mudanças, campos de refugiados e migrações passam, de repente, a fazer parte do cotidiano de quem nem tava ligado que uma coisa dessas podia cair dos céus. Velhos, crianças, mulheres e homens perdidos em busca de um lugar novo pra viver.

Numa civilização baseada em propriedade privada, essas pessoas deixam suas posses ao deus-dará. Passam a necessitar dos bons tratos das organizações que cuidam de alojar o maior número de pessoas possível. Nada contra essas organizações. Fazem seu trabalho da maneira que podem. Mas, pensando alto, se a tendência for uma radicalização das intempéries causadas pelas mudanças climáticas, esse número vai aumentar exponencialmente.

A pergunta é: estamos preparados para lidar com esse possível fluxo migratório? Eu não consigo enxergar nas políticas dos países ricos, principalmente os EUA e Europa, uma flexibilização para aceitar os migrantes de todas as partes do planeta. Viveremos diásporas por todas as partes.

Creio, portanto, que deveríamos ampliar esse debate para tentar mitigar um processo que parece insexorável.

As Gambiarras Urbanas (revisitado)

O termo Gambiarra expressa precariedade, ilegalidade. Ele pode servir também para o senso comum definir qualquer desvio ou improvisação aplicados a determinados usos de espaços, máquinas, fiações ou objetos antes destinados a outras funções ou corretamente utilizados em outra configuração. Os fios são gambiarras institucionalizadas como infraestrutura necessária para a vida. Não nos atentamos com o fato de construirmos uma sociedade que se expande na precariedade. Que se desvela por um simples clique da fotografia do cotidiano.

Um clique que nos mostra a fragilidade de todo um sistema elétrico. Uma infraestrutura tão precária que podemos imaginar que o sopro de um furacão, um balanço de um terremoto, ou mesmo uma pequena erupção de uma população insatisfeita possa gerar, porque não, um desligamento, temporário ou permanente, de uma infraestrutura tão preciosa para os habitantes do século 21.

Diga adeus a tua geladeira, pra adega de vinhos bacanas, aos eletromésticos, ao chuveiro elétrico, bye bye internet e sua conexão virtual.

Se quisermos pensar no futuro. Nas pequenas possibilidades que expandem a nossa sobrevivência. Teremos que entender, na teoria e prática, como funciona toda essa bagaça. Precisamos, mais do que ser usuários, assumir a produção coletiva de energia. Nem que seja para ligar uma luz de LED, um computador, um roteador WiFi ou produzir água quente para um banho de gato. Nem preciso dizer que temos também que nos empoderar de tecnologias subjacentes como a replicação das redes de computadores, ou melhor redes ad hoc, nas quais um computador consegue estender a conexão ao computador mais próximo e assim por diante.

O recado é esse. Os fios se tecem sobre nossas cabeças e só os percebemos quando olhamos para cima. Esse olhar singular dos fios elétricos traz uma inserção da gambiarra para o contexto da contemporaneidade. E para a precariedade que estamos inseridos.

Apenas 2 graus

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São apenas dois graus celsius que esquentam o planeta. O que podem esses dois graus fazer? Um planeta tão grande. Dois graus não vão me tirar do cotidiano. Ainda mais, posso ligar o ar-condicionado em plena força e esfriar o meu próprio ambiente. Aliás, o que importa. Uma cerveja gelada para refrescar a alma.

Se é assim que você pensa em enfrentar o aumento global da temperatura, vou dizer: não vai rolar.

A primeira coisa que precisa saber é que as mudanças climáticas estão acompanhadas de uma outra tragédia. O esgotamento das matérias-primas energéticas. E, mesmo que você tenha a disposição um pouco de petróleo pra queimar pra gerar uma energia extra pra fazer teu ar condicionado bombar, as emissões de CO2 somarão as emissões dos coleguinhas que tiveram uma ideia parecida catalizando ainda mais o caos.

É urgente transformar radicalmente a matriz energética.

Deixando de lado que tudo pode piorar. Vamos focar nas consequências imediatas do aumento de dois graus. Não sou climatologista para apresentar um mapa detalhado do que pode acontecer. Mas com certeza o aumento da temperatura planetária vai além do descongelamento das geleiras e das tentativas frustradas dos ursos polares em fugir das condições adversas.

O degelo aumenta a quantidade de água em estado liquido e gasoso. Logo, é de se imaginar que os oceanos vão também elevar sua altura. Pesquisas muito conservadoras apontam para uma elevação de um metro até o final do século. Esse aumento é muito? é pouco? O oceano tem aumentado aproximadamente 2 mm por ano. Isso significa que brevemente, muito antes do final do século, as zonas adequadas para o berçario dos peixes estarão alteradas de forma a romper com o ciclo da muitas espécies. Somada à acidificação oceânica, ou seja, a diminuição do pH nos oceanos. Causada pelo aumento do gás carbônico atmosférico, que se dissolve na água, alterando o equilíbrio químico. Pra quem gosta de sushi, isto é um mau agouro!

Não para por aí. O aumento de dois graus na temperatura modifica a pressão atmosférica, o vapor d’água invade a atmosfera fazendo com que os ventos deixem de soprar como antigamente, e desviam as chuvas de onde tradicionalmente ocorriam. Logo, as bacias, que outrora eram inundadas pelas águas da chuva, começarão a secar. Isto tudo ocorrerá, principalmente, nas regiões equatorianas e subtropicais. O México, a China, a parte mediterrânea da Europa e com certeza a África passarão a conviver com uma seca crônica. Seca significa falta dágua e comida. As plantas morrem, os animais também. Nem vamos falar do aumento de ocorrências de furacões e tornados.

Quem mora nessas região não ficará muito feliz. Vão tentar fugir o mais rápido possível. Hordas de migrantes vão correr para as áreas mais protegidas do planeta. Agora, você sacou o motivo do muro do trump? los mejicanos no son bienvenidos.

Vislumbramos um mundo com poucas possibilidades. Um estado fascista que tenta segurar as mudanças climáticas com fórmulas heterodoxas. Acreditando que o investimento na tecnologia de ponta vai salvar a humanidade (#sqn). Até agora não fizeram nada. Por que acreditar que isso vai dar certo?

E, por outro lado, a auto-organização de pessoas comuns em busca de ambientes sustentáveis, pequenas comunidades e ecovilas. Com tecnologias tradicionais e energia limpa poderiam dar um novo recomeço para a humanidade. Um mundo hippie na sua essência.

Você sabe onde vai querer estar?

Notas das mudanças climáticas

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Há quem finge não acreditar nas mudanças climáticas. Bem, pelo menos a minha impressão é que muita gente prefere não crer a ter que enfrentar mentalmente a destruição da civilização. Um dia vão descobrir que o calor sufocante não é um acaso. Que as secas que assolam as grandes cidades também (ops, são paulo quase mitigou frente a uma seca monstro que deixou seus reservatórios de água no negativo). Mas esses aí não me preocupam.

Mas quando o trump anuncia suas medidas anti-clima, quando ele faz uma proposta de murar as fronteiras, quando ele clama por uma américa grande, pois, isso preocupa. Todas essas medidas da negação à conclamação de uma américa para americanos é uma forma de dizer fodam-se os outros. Dúvido que eles sejam verdadeiramente negacionistas. O governo americano sabe muito bem pra onde o mundo está caminhando. Negar faz parte de uma contra-informação hipernormalizada. Mas ao mesmo tempo, é de conhecimento geral que as zonas equatoriais vão sofrer mais. Espera-se uma desertificação do México, Caribe e parte da América do Sul. E o recado já foi dado. Nos EUA não terão abrigo.

Sinceramente, eu acredito que, tal e qual nós, pessoas, estamos buscando alternativas frente a essas mudanças, os poderosos estão assumindo um tom fascista, ou ecofascista para contextualizar o momento, para garantir a vida daqueles que interessam pra eles. Creem que a população mundial precisa diminuir e, dessa forma precisam controlar os recursos estratégicos para manter sua gente. Enquanto isso os direitos dos povos do sul, a saúde básica, as vacinações, a educação vão pra vala comum da humanidade. E com apoio violento de uma corja de corruptos e criminosos que esperam se sair bem. Pois é, estamos fudidos.

A esperança é a primeira que morre

explosaocontida2Aos desavisados que acreditam que a tecnologia disruptiva vem nos salvar, subtituindo o trabalho do ser humano por máquinas, livrando-nos das agruras do cotidiano para, simplesmente, dar-nos tempo para viver, sinto dizer que esse discurso é uma falácia.

Pois, os efeitos degradantes da mudança climática somados a crescente centralização das riquezas apontam para a elitização genética da sociedade (sim, o ser humano pode ser geneticamente modificado e viver mais tempo e melhor se adaptar ao inóspito mundo novo. Mas não pense que isso vai acontecer comigo ou com você. Já assistiu Ellysium?) e a consequente eliminação de grande parte da população mundial (não existe condição para a vida de 9 bilhões de pesssoas comuns).

Enfim, esse processo louco que estamos vivendo só vai piorar. Temos que resistir para, pelo menos, manter a esperança.

Experimento de Realidade Aumentada

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A exposição do VJ Pixel – Janelas Digitais no Coletivo Digital (Rua Cônego Eugênio Leite, 1117, em Pinheiros, São Paulo) traz experimentos de realidade aumentada utilizando recursos do celular através do app jandig (desenvolvimento opensource). Muito legal!!!

Minha colaboração foi a animação acima que aparece ao focar a câmera num tipo de QR code (#sqn).

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Vale a pena visitar a exposição 😉

 

Survival is the new black

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Não me importa muito como será o fim. Pode ser consequẽncia de um asteróide rebelde, de uma guerra nuclear, de uma devastadora epidemia zumbi ou, com mais probabilidade, os efeitos das mudanças climáticas. Na verdade, tanto faz.

Tenho a convicção de que o fim está cada vez mais próximo. São tantas as evidências que já não é mais possível negar e colocar debaixo do tapete da sala de estar.

Se já sabemos do fim, precisamos urgentemente entender que o processo será duro. Vai nos custar sede, fome e, também, conforto.

Fomos acostumados a viver sob as benesses do capitalismo. Comida na mesa, roupa limpa, luz elétrica, água encanada e diversos outros quitutes para nos deixar felizes para enfrentar a angústia do cotidiano. Uma dose de juanito para sobreviver o estresse.

O consumismo nos tornou dependentes para seguir vivendo adequadamente na sociedade. Além das drogas, é claro!.

Mas imagine, por alguns segundos, que não mais tenhámos todas essas coisas disponíveis. Teriamos que lutar todos os dias por um pouco de água, por um pão minguado. Vai ser um estorvo conseguir uma frutinha, um pé de alface, uma pequena cenoura. Aliás, você sabe plantar? Caso positivo, poderá desfrutar de sua porção de chuchu diária. Plantado na sua horta caseira para nutrir sua família.

Se não, bastará uma boa arma para roubar a comida dos inimigos (ou dos quase amigos mais fracos e despreparados para a onda de violência que está por vir). Assim, veremos o que é um homem. Um ser animal capaz de produzir os piores horrores para se dar bem. Esta história já conhecemos bem. Todos somos doutores no comportamento egoísta de seres que como nós habitam no mesmo planeta. Infelizmente.

A única coisa que tenho certeza é que precisamos nos preparar para enfrentar os tempos de mad max.

Ao deus-dará

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O mundo está inacreditável. O Brasil, nem me fale… já nem falamos da crença no desenvolvimento. Eu só queria voltar algumas casas para poder jogar um outro jogo . Mas na vida real não tem UNDO.
 
Bem, a política tá uma bosta. Principalmente os políticos. Uma corja que se aninhou em BSB para foder os desamparados. Para quem ainda não se ligou… os desamparados somos nós.
 
Além de toda essa robalheira e abusos do poder creio que ainda não chegamos no fim do poço. Incrível, mas é verdade. A mudança climática já é irreversível
 
O sistema faliu. Não apenas no âmbito da organização da sociedade, que não mais consegue produzir sem deixar a desesperança como legado.
 
Para a continuidade da civilização não é mais possível admitir queimar combustíveis fósseis, continuar com a atividade pecuária, deixar rios e lagos poluídos e ao ‘deus-dará’… Sabemos que teremos um futuro minguado. A tecnologia não nos salvará. Talvez  enviar alguns para outras galaxias. Talvez os aliens venham nos salvar (mas não acho que eles vão querer meter a mão nessa arapuca).
 
E o povo? Os seres humanos? Uhmm, seria melhor assistir mais filmes, mais séries. A vida é só uma ficção.

Financiamentos coletivos

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Uma vez me chamaram para juri de um prêmio da extinta revista ‘a rede’.

O prêmio tinha objetivo de promover e destacar projetos de uso da tecnologia na educação e na ‘inclusão digital’.

A minha metodologia para avaliar foi fazer um balanço entre 3 variáveis: a quantidade de pessoas atendidas, o objetivo social do projeto e o financiamento.

Assim, um projeto com objetivos desinteressantes e anacrônicos: nota baixa.

Pouca gente atendida: nota baixa.

E, se tivesse um financiamento de banco e/ou grandes empresas, as avaliações seriam função da quantidade de pessoas atendidas ou o objetivo intrínseco do projeto. Ou seja, financiamento de banco, projeto bobinho: nota baixa; poucos atendidos: nota baixíssima.

Nunca mais fui juri desse prêmio. Ser rigoroso demais não é bom para os negócios.

No entanto, acho que ser rigoroso em relação ao financiamento faz com que possámos evidenciar projetos que tenham qualidade. E, quanto mais financiamento é mais simples atingir a meta. Entendo que se há bradesco, itaú, oi, vivo, claro ou quaisquer outros players da ação social há de se pensar que o projeto tem que atingir mais de milhares de pessoas e que tenha sido definido para ser relevante para a sociedade. Um projeto com financiamento mais humilde pode ser menos fantástico como projeto mas que, seguramente, envolve mais a comunidade, o que torna seu ponto forte.

Bem, escrevi tudo isso para apontar para um detalhe em relação a gourmetização do crowdfunding.

Tipo: uma ONG chique, financiada por bancos, com um produto bom concorre com muito mais profissionalismo pelo seu dinheirinho de caridade direta com outros projetos menores, onde o pessoal dá um sangue danado para manter e ampliar seus projetos.

Os coletivos que se formam pela vontade de fazer, algo tão século 21, encontraram uma forma de produzir se valendo das doações dos amigos e amigos dos amigos. Se a gourmetização continuar crescendo vai dificultar cada vez mais para o pessoal que tem feito algo diferente.

Pense na hora de dividir seu pãozinho. E faça como eu fiz para avaliar os projetos. Seja rigoroso. E dê seu dinheiro pra quem você quiser.